quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

RAP DO CAPITALISTA (2012)

Grife, grana e de gravata é um tolo, chauvinista
O que fala é só bravata, fingindo de idealista
Vive de golpe e mamata, posando de moralista
Dotado de quatro patas, envergonha darwinista
Eu na vida autodidata, você um ilusionista
Siga sendo uma errata, eu prossigo um anarquista
A postura burocrata te fará ser congressista?
Manda aí tuas cascatas, não passa de um vigarista
Vestido de diplomata na corrida armamentista
Postura pobre e primata, nem te salva um exorcista
O teu corpo é uma sucata, me xinga de comunista?
Viva com merda e baratas, otário, capitalista!

Fábio Roberto
Pra II Mostra Artística da Turma Braba

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A PRESENÇA DA MULHER

A presença da tua mulher não está no perfume que ela usa, mas no aroma que ela deixa. Não está na palavra que ela diz, mas no olhar trocado que tudo entende. Está na mão que acaricia a tua pele à distância. Está no beijo de anteontem que continua na tua boca até agora. Está no abraço que é sentido em cada momento de carência, aquele onde o frio da solidão te ataca feito uma faca no estômago.
A presença da tua mulher está na inexistência da dúvida. Ela demonstra o amor de forma tão clara que seria estúpido não crer. Está na forma dela andar ao teu lado. No mesmo ritmo, no mesmo compasso. Está no jeito que ela te olha quando está com os amigos dela. Se ela te olha admirada, se ela tem orgulho da sua companhia, ela está inteira com você. Se ela fala de você tão naturalmente na tua presença, que parece que te conhece há vidas, ela te ama de verdade.
A presença da tua mulher é real quando ela não te esconde de nada. Por que os outros, quem são os outros para ela? A tua mulher está presente quando não sai do teu pensamento nem o balançar dos cabelos dela. Nem a forma como ela se despe pra você. Ou a expressão de êxtase que ela faz quando você a explora com mão de moleque ou a invade com a paixão mais enlouquecida.
Está no sono que ela tem depois de te amar intensamente. Se ela adormece linda, totalmente nua e tranquila, ela confia, ela está com você.
A tua mulher está presente quando a ausência dela é tão doída, que você prefere ter qualquer dor a não tê-la perto. Certamente essa mulher te deu um presente inesquecível: um amor pra sempre.
Pra sempre será pouco tempo na presença dessa mulher.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ZUMBIDO (texto para o clipe)

O Zumbido que me enlouquece é a voz da solidão que sinto neste planeta desconhecido. Dói na alma a angústia de viver aqui, sem poder melhorar os destinos, impotente frente à realidade cruel que não se transforma.
A beleza do que admiro em cada paisagem da natureza ou gesto caridoso de humanidade, não torna existir mais suportável. Pouco há que suavize esta provação.
As palavras e as melodias que recebo tornam-se a esquizofrenia de um ser atormentado, que tenta escapar por instantes da prisão cantando a agonia ao universo.
Vez ou outra uma Musa surge inspirando obras que descrevem amor e paixão, emocionando o infinito. Mas isso dura o tempo de um sonho, como se fosse um relâmpago no céu da eternidade.
O que resta ao acordar é o vazio e buscar novamente algo que me complete, provoque, envolva, motive, entorpeça, anestesie, drogue, inspire, apaixone...
Não sei se eu sou Um Açoite ou Uma Espada. Talvez eu seja Um Grito Pichado No Muro. Um Zumbido. Que Zumbe e Zumbe e Zumbe...
Fábio Roberto

BEIJO DA MADRUGADA


  

Por que tu me beijaste eu não sei.
Será por que tu me notaste triste?
Será por que o meu coração ouviste
descompassado, amargo, fora da lei?

Não sustentei olhar teus olhos refulgentes,
sorrindo pro meu rosto de indigente.
Só admirei os teus bailados deslumbrantes,
a desfilar-me paixão louca e vibrante.

Por que tu me beijaste, madrugada,
se cedo tu fugias pro teu dono
e o dia preparava outra cilada?

Restou-me a luz pungente do abandono,
minha poesia estéril ou calada,
se a lua adormeceu eterno sono.

Fábio Roberto



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

MIJO E PAIXÃO

Houve o tempo de belo regozijo
Quando então aproveitamos o ensejo
De executarmos um humilde mijo
Reconfortante, denso e benfazejo
Ah, o mijo quente que nos abandona
Deixando o frio veículo em mãos
Um pênis murcho que perdeu a dona
Do liquido filtrado pelos rins irmãos
Mas existe festa onde houver bexiga
Aliviada de excretos eliminados
Tal qual uma criança com lombriga
De estômago e olhos saciados
Privada ungida pela urina amiga
Descarga de ureteres apaixonados
Fábio Roberto

sábado, 27 de janeiro de 2018

O SOL DAS FALÉSIAS DE PIPA

Cada um tem o sol que merece.
Tem sol de gente que só faz prece.
Tem tênue sol, longe, apagado.
Sol vermelho pra quem tem pecado.
Tem sol que queima feito uma paixão.
O do amor que foi, sombras, ilusão.
Sol que alimenta e aquece.
Ou te derrete, seca, fenece.
Tem sol tímido, das nuvens atrás.
Tem sol vibrante, pra trazer a paz
O sol com chuva, confusão no céu.
Sol de criança, bola no papel.
Sol do deserto mata, dói, peste...
No inverno, que se manifeste
Acordam todos no lado leste
Poentes, dormirão no oeste.
Diferente o sol das Falésias.
Arde sem arder, brilha sem queimar
Ninguém o conhece, amnésias...
Nasce nas pedras pra morrer no mar.

Fábio Roberto


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ABORTO

Sou saudade e ainda não morri,
porque esta é uma verdade
que ainda não vivi.
Nada sinto.
Nada digo.
Nada além de nada.
Uma espera.
Uma esperança.
Uma vida perdida à dor de nascer.

Fábio Roberto


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

JARDIM SOMBRIO

Essas flores
em meu corpo
a despetalar,
doce aroma
em podres narizes
irão exalar.
Corpo murcho.
Flores tão belas
para enfeitar...

Fábio Roberto