Vozes emudecidas
Violões sem cordas
Cordas sem pescoço
O cérebro amortecido após tecido o sonho
Após ter sido o sonho um sonho
Um vazio
Um imenso, profundo e solene vazio
O silêncio escuta o grito
O delírio queima no ar
Copos e corpos inertes
Mortos a respirar
O brilho
Derradeiro suspiro
O futuro da morte:
o início
Fábio Roberto
(Musicada em 1987)
domingo, 18 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
TRADIÇÃO
Saiba, ela vai pro Santo.
Espírito que espreita em todo canto,
com a boca sedenta escancarada.
Coitado, o paraíso não tem cerva.
Bebe-se só néctar dos deuses,
ao som de líricas berceuses
e ele preferindo uma erva...
Por que foi ser honesto, sem pecado?
Agora, bar em bar caminha errante,
sóbrio, consciente, inconsolável.
Passo sem futuro, flutuante.
Prazer eternamente insaciável,
olho de zumbi, arregalado.
Fábio Roberto
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Sorriso
Viver é doloroso
Por isso o poeta sofre
Nasceu audacioso
Sua sorte jaz num cofre
Viver é doloroso
Por isso o poeta canta
Faz-se de corajoso
E das tumbas se levanta
Viver é doloroso
Por isso o poeta escreve
Um texto pecaminoso
Até isso ele se atreve
Viver é doloroso
Por isso o poeta ama
Cada dia milagroso
Ao lado da sua Dama
Viver é doloroso
Por isso o poeta cansa
E num gesto majestoso
Despede-se numa dança
Mas ele vai sorrindo
Quase inda esperançoso
Por isso o poeta findo
Viver é doloroso
Fábio Roberto
domingo, 5 de julho de 2015
Canção de Cecília e Alice
Crescer
Todo dia crescer
Nascendo
O que ainda vamos
ser
O sol
Nos iluminará
A noite
Nos aconchegará
Abraça-nos com um
sorriso
o amanhã
Faremos cada adulto
Aprender
Crescendo dia a dia
Como nós
Adultos nada sabem
De nascer
Crescer
Todo dia crescer
Nós duas,
Nossa mãe, nosso
pai
Amor,
A poesia do lar
A paz,
Repousando no ar
Faremos gente
grande
Compreender
Que o mundo é bem
mais simples,
Basta ver
Que os velhos
também passam
A depender
De mãos e de
cuidados
Pra viver.
Fábio Roberto
segunda-feira, 18 de maio de 2015
24 HORAS
Sempre
considerei injusta a divisão dia/noite tão equilibrada. O dia tem o sol
nascendo com seu calor e aconchego, a natureza parindo em cada flor que
desabrocha, pássaros cantando, a maioria dos trabalhadores se empilhando no transporte
público ou seguindo roboticamente solitários em seus automóveis. O padeiro que
vai assar os nossos pães, a mãe que leva o filho ao aprendizado escolar, os
cães procurando ossos por ofício, os amantes que deixam um motel, o bandido que
se esconde em sombras, carroceiros catando nosso lixo, beijos que encontram
lábios já de saudade ou lábios que se selam formalmente num até depois. Quando?
Quanto?
Mas a noite
tem tudo isso e os bêbados vagando, as prostitutas sem prostíbulos ou esquinas
fazendo sexo com quem procura amor, o apito do guarda noturno em si bemol,
pessoas uivando suas melancolias, bebês chorando serenatas, canções sendo
compostas por gênios que nunca terão aplausos, a lua num céu que só poetas
enxergam, estrelas que já passaram por ali, corujas procurando ninhos no
cimento e passos muito mais consistentes porque o escuro é mistério, medo,
dúvida e certeza.
A mulher que
eu amo é dia, mas é muito mais noite. É tudo e além. É sempre um querer sem
medidas, um relógio que eu queria atrasar para ter um pouco mais de alegria e
adiantar para ser eterno prazer.
É injusta a
divisão dia/noite tão equilibrada, porque a noite é agora e esperança, o dia é
amanhã e realidade.
A gente
sonha muito melhor na noite que nunca acaba.
Fábio
Roberto
sábado, 16 de maio de 2015
OS OLHOS DA LUA (RAISSA)
Pequena criatura
Os olhos da lua te
mostram o caminho
De outra missão
Corrente de água
começa outro mar
A vida não esquece
Se em alguém
permanece raiz e saudade
Morrer não é morte
Saudade é
transporte
Agora tua festa de
rabo-sorriso
É de estrela em
estrela, passeio bonito
Coleira de nuvens
Tão grande o teu
novo lar
Pequena criança
ouviu o assobio
O chamado, o pedido
desse outro amigo
Pois guarde esse
dono (o dono do mundo)
Tal como comigo
precisa tua brincadeira
Raízes de um
coração
Não batem, só
brilham
Não batem, só
brilham
Não bate, só brilha
Fábio Roberto
sábado, 9 de maio de 2015
AMAR
Eu penso que amar é
para fracos
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram taboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.
É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meus olhos a cor:
a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.
Devorando-a inteira e lentamente.
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram taboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.
É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meus olhos a cor:
a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.
Devorando-a inteira e lentamente.
fÁBIO rOBERTO(2008)
quinta-feira, 30 de abril de 2015
TEU TEMPO
Pra que correr se
és o tempo e tão menina
e para ti o dia
chega como brisa,
acarinhando teus
cabelos na esquina
da vida, cena que a
paisagem frisa
em nossos olhos
ansiosos e anciãos.
A nós o tempo já
não mais espera.
Já passou,
escorregando pelas mãos.
Morrer tranquilo e
feliz, ai quem me dera...
Fábio Roberto
segunda-feira, 30 de março de 2015
O OLHAR
Quem
irá entender as minhas palavras sem que passe pela cabeça que eu sou uma
atitude vaga e penso
sempre antes do momento existir?
Não tenho tempo para explicar o tempo do meu desgaste.
Não sou um bom amigo para beber cervejas sem falar bobagens próprias ou filosofar sobre uma frase de Thoreau.
Não sou um bom amante se não devorar a alma de quem amo e me entregar às mãos dessa amada como se ela fosse Deus.
Plantei filhos e para eles não transmiti mentiras sociais, para que pudessem colher da arte o alimento supremo na realização plena de suas vidas.
Eu sou um descasamento, sou certamente um errante. Um materializador de sonhos. Um destruidor de sonhos. Um pesadelo que fez sorrir.
Não sou um compositor de jingles, mas poderia colocar uma pimenta no seu doce de coco e vendê-lo como pipoca.
Tenho medo de dor de dente, tenho medo de dor no dedo, tenho medo de cebola.
Não
tenho medo da morte, mas não a aceito agora, sem antes encontrar com o meu destino
cara a cara com a faca na boca, a caneta na mão e um papel em branco para mostrar
a ele que a poesia não precisa assistir ao por do sol ou a uma luta.
Ou será que um cego não pode ser poeta?
Mas
não seria a morte encontrar-se finalmente com o destino?
Eu sei de tudo o que vivi ontem.
Eu sei de tudo o que vivi ontem.
O
meu ontem foi muito mais do que todas as vidas de muita gente.
Nossa,
como sou arrogante!
E
agora estou calmo demais.
O futuro está nos meus olhos.
O futuro está nos meus olhos.
O
futuro está nos teus olhos.
Resta
saber para onde iremos olhar.
Fábio
Roberto
domingo, 29 de março de 2015
EXEMPLO
Eu
sou um exemplo de homem.
Um
de uma intensa mulher e só.
Os
outros vulgarmente as comem,
maltratam
suas peles sem dó.
Usam,
abusam e somem.
Quando
nasce o dia o amor vira pó.
De
homem sou um modelo nobre e raro.
Um
que sempre ampara a sua dama.
Os
outros não deixam nada claro.
Só
as querem levar para uma cama.
Dizimam-lhes
o prazer como acaro.
Corações
nem no eletrocardiograma.
Já
eu sou incomparável como amante.
Satisfaço
plenamente a minha Deusa.
Os
outros querem os dotes de Bacante,
servem-nas
como vinho e adorno à mesa.
Depois,
em gesto ingrato e ultrajante,
oferecem-lhes
a solidão como surpresa.
Eu
e apenas eu sou desigual.
A
minha mulher é um sorriso eternamente.
As
outras, sem paixão tão surreal,
no
rosto uma tristeza transparente,
no
corpo uma doença terminal
e
a dor de uma alma evanescente.
Fábio
Roberto
domingo, 8 de março de 2015
Dia da Mulher
Uma mulher é realmente importante pra você quando ela não faz falta. Faz pênalti!
Faroberto
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
EXERCÍCIO DA GUERRA
Rajadas de metralhadoras são expelidas por consideradas bocas
santas. As más línguas, com seus ditados impopulares, espalham a notícia. O
Alfabeto traído, encurralado no beco escuro da ignorância, foi assassinado sem
dó nem piedade. A escrita e a fala não mais existem. O analfa matador de
aluguel grunhe um som ininteligível de vitória. Ao mesmo tempo, perto dali,
nasce a Mímica.
Fábio Roberto
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
BEIJO
Vou guardar pra sempre na memória da minha alma
até os momentos que não vivi ou viverei com você.
Não cabe em mim o tamanho de um sorriso.
Tenho boca curta, dentes cansados, língua
silenciosa, garganta espremida.
Queria expressar ao mundo o sentimento
explosivo de compartilhar um amor tão calmo e selvagem.
Queria gritar nossos sons, declamar nossas
palavras derramadas do copo caído.
Beberia cada gota espalhada no chão pisado e
sujo.
Deitaria no sereno, recebendo-o em meu corpo
seco como se fosse o último gole do teu beijo.
O vento gelado da madrugada não consegue apagar
o meu fogo, consumir a minha fome ou saciar a minha sede.
Os sonhos que são nossos sobrevoam os passos
que ando.
A realidade em que acordo é um tempo que
ninguém pode entender, nem mesmo eu.
Não sei quando vou sentir a dor de não te ver
no espelho dos olhos,
mas vou guardar pra sempre na memória da minha
alma o que vivi com você.
Fábio Roberto
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
OUTRO DIA
CHOVE LÁ FORA, É
NOITE.
PESSOAS ESTÃO
TRISTES,
OUTRAS FELIZES.
UMAS NASCEM,
OUTRAS MORREM,
OUTRAS NADA.
CHOVE LÁ FORA,
COMO É BOM.
ÁGUA, LÁGRIMA,
ESTRELA E SORRISO
SE MISTURAM,
BRILHAM TÃO IGUAIS,
INOCENTES.
E A LUA NÃO SENTE A
DOR
DAQUELE QUE NÃO
PARTIU.
A LUA NEM SENTE A
DOR TERMINAR.
NÃO TEM CULPA DO
DIA NASCER
OUTRA VEZ.
Fábio
Roberto
(Poema musicado em 1992)
terça-feira, 25 de novembro de 2014
FIEL
Sou
mais fiel do que o alcoólatra a pinga e muito mais do que o cão ao dono.
Do
que o mar a praia, do que as estrelas ao céu, do que a mata a chuva, do que os
chinelos aos pés, de tudo isso sou extremamente mais fiel.
Nem
se compara a minha fidelidade com a do lençol a cama, da tomada ao plug, da
gasolina ao carro, do travesseiro a cabeça.
As fidelidades do sangue a veia, da saliva a boca, do rato ao queijo, da lavra ao vulcão
também não chegam perto.
Eu sou fiel além do que um filho ao pai, do que o dinheiro a carteira, do que um
rio ao leito, do que a notícia ao jornal, do que os óculos aos olhos.
E mais ainda do que a folha a árvore, a terra ao chão, a vingança ao ódio, a lágrima a
tristeza, a palavra ao poeta, a fome ao seio, a vontade a ação, o fogo ao
carvão, a bunda ao sofá, a fé a certeza, o fanático ao time, a esperança ao
futuro, o covarde ao medo, o amor ao coração, a voz a garganta, a honestidade ao princípio, o trigo ao pão, a
lua a noite, o poeta a madrugada, o anel ao dedo, a paisagem ao retrato, o frio
ao inverno, os dentes ao riso, a vida a morte, o telhado a casa e, finalmente, absurdamente mais fiel do que a crase ao a.
Para que eu não seja fiel é preciso que o vento traia ao ar, a paixão ao sentimento, o
etcétera ao incompleto, as reticências ao eterno.
E do que o alcoólatra a pinga, o cão ao dono...
Fábio
Roberto
sábado, 19 de julho de 2014
AQUI
O que será de nós
nesta terra devastada
natureza morta, pedra dura
alma triste, fria, escura
visão turva, aleijada
trovador sem voz?
O que será de nós agora
sem futuro ou esperança
bicho errante, carcaça
ruína, poeira, desgraça
valsa que ninguém dança
dor que a mente devora?
O que será de nós agora que chegamos
superando prece e morte
vida, destino e tempo
carregados pelo vento
à procura de melhor sorte
utopias, sorrisos, reclamos?
O que será de nós agora que chegamos aqui?
Fábio Roberto
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
O Motor
Movimenta-se lento o êmbolo
Visão turva, a imagem embola
Pele carcomida que se esfola
Fraco, cansado, trêmulo
O sangue entope a máquina
Resultando em um coágulo
Paralisando o veículo
Prostrado sobre uma isnáquia
Deslizar é passado
Foram-se cilindros e anéis
Desligaram-se painéis
Nada a ser lubrificado
Não pode ser ressuscitado
Que rezem por ele os fiéis
Fábio Roberto
Para a IV Mostra Artística Temática
da Turma Braba
Tema “Êmbolo”
O Feto
Não sei por que aconteceu isso
comigo. De repente uma corrida desenfreada de espermatozoides onde eu tive que
bater em um, em outro, em milhões, sem imaginar que acertar o alvo era apenas
uma grande sacanagem. Então sem que eu esperasse estava germinando dentro de um
corpo desconhecido, estranho e descuidado. A dona desse corpo não se preocupava
comigo. Não me alimentava direito, se intoxicava com drogas baratas e ainda
ficava sacolejando em bailes funks. Ouvir dez vezes “levanta a bundinha”e “abre
as perninhas”, feto algum merece né mermão? E eu, espremido naquela barriga
cada vez mais gorda e ao mesmo tempo apertada, tinha que disputar espaço com
gases fétidos porque a dona do corpo só comia merda. Eu rezava para ela soltar
um peido para eu me espalhar um pouco mais naquele espaço nauseabundo. Durava
apenas segundos, pois logo tudo se contraía novamente. O cordão umbilical que
me irrigava só trazia veneno e sofrimento.
Subitamente discussão, briga, barulho.
Quem é o pai sua filha da puta, vagabunda, safada? - perguntou uma voz grave e
violenta. Vai se ferrar seu corno, banana, trouxa - respondeu a voz esganiçada
do corpo que eu habitava. Uma pancada forte me fez sacolejar dentro daquele
receptáculo desprotegido e em seguida mais porradas, bordoadas, chutes. Facadas.
Fiquei tonto e cego quando uma
hemorragia interna no corpo da besta que aconteceria minha mãe quase me afogou.
Sirene de polícia, gritos, tiros. Sirene de ambulância, maca, correria. Uma
agulha enorme com anestesia desfaleceu a anta anti-maternal, mas não me fez
efeito algum. Apesar da intensa dor a minha alma machucada estava totalmente consciente.
A ponto de eu ouvir gente falando... “vamos ter que abortar”. Demorou um tempo
para eu saber que era a mim que se referiam. Descobri mesmo, assim que alguns
instrumentos me dilaceraram rompendo carne e espírito, cortando finalmente os
tênues laços que me ligavam a este mundo podre.
Que sorte. Pra mim, nascer seria um
equívoco.
Fábio Roberto
Para a IV Mostra Artística Temática
da Turma Braba
Tema: Equívoco
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
O Poeta Da Solidão
O poeta é uma multidão num só.
Janela não existe pra quem viu
o amor sem resposta virar pó,
como o mais lindo dia que existiu.
O poeta é multidão e solitário.
Cachorro que o dono morreu.
Garrafas vazias no armário.
Memórias do que nem aconteceu.
O poeta é um caminho sem retorno.
Multidão o habita, intensos sentimentos.
Criança que ainda nem saiu do forno.
Futuro enrugado e seus tormentos.
O poeta é multidão e mais queria.
Não lhe basta esse destino infinito.
Só a paixão da mulher que o amaria,
lendo um poema só na alma escrito.
Fábio Roberto
Insônia
Uma parte lutava pra dormir,
a outra insistia em pensar.
Fazendo uma parte se coçar,
a outra adorava oprimir.
Uma parte começou a deprimir,
outra não deixou de lhe espicaçar.
Essa parte só deixou de ameaçar,
quando a outra irritada fez bramir.
E assim noite adentro a esgrimir,
uma parte viu o tempo passar.
Desejando mais um pouco troçar,
a outra ficou a se consumir.
Breu confuso lhes restava exprimir.
Não puderam ou souberam conversar.
Duas vozes: a insônia a engessar
a ideia que nasceu só pra sumir.
Fábio Roberto
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