Pode a palavra apagar
Pode o canto emudecer
Mesmo se o dia dormir
Sem que haja anoitecer
Pode parar de brilhar
Uma estrela a morrer
Um rio não mais navegar
E a saudade esquecer
Nossa história
Eu lembro como se fosse agora
Cravei as mãos nas tuas costas
Deixando dor/prazer marcados
No corpo que era a minha cama
Gemidos congelaram as horas
Os gritos excitaram as velas
O fogo mordendo os lençóis
Deu Sede que bebi teus lábios
Fábio Roberto
Escrito e musicado em 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
terça-feira, 23 de agosto de 2016
TUMBA
Cansado desta
poesia maldita que dilacera as palavras,
o coração e
transcende à alma.
Não há como
criar novas canções.
Os temas se
repetiram, repetiram, repetiram
na constante
perversa de uma vida e sua incógnita.
Pois, sim,
existe vida após a morte.
Mas não sei
o que existe antes.
Seria tudo
um pensamento ou um espasmo,
um flash, o último piscar dos olhos do tempo?
Sem resposta
as musas, também cansadas desta poesia maldita
que dilacera
as palavras, as canções, o coração e transcende à alma,
recolheram-se
ao interior das suas asas que nunca mais abrirão.
E assim
resta apenas o silêncio cinza e austero de uma tumba confortável e bela,
onde dormirá
eternamente toda e qualquer inspiração.
Fábio
Roberto
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Rumos e Rimas:
o poeta vive em agonia. Semelhante a um médium vê a vida, pode
amá-la, mas não pode alterar os seus rumos. Depois que a poesia nasce o poeta não
pode nem mesmo mudar as suas rimas.
Fábio Roberto
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Cemitério de Leões
Nem a carne, nem o espírito.
O rio secou água da lenda.
Caíram árvore, sombra e mito.
Rugido não mais ecoa forte.
A caçada terminou em armadilha
Uma feroz espera pela morte.
A sílaba que faltou na redondilha.
Assim, façam a festa abutre e hiena.
Meus ossos vão voltar à natureza,
como se fossem a dor de uma gangrena
que devorou a alma da tristeza.
Fábio Roberto
sábado, 26 de março de 2016
BILHETE ÚNICO
Certas
pessoas não passam pela nossa vida
Certas
pessoas passam pela nossa vida
Certas
pessoas não passam vida
Certas
não pessoas passam
Certas
pessoas não passam
Incertas
pessoas
Incertas
vidas
Certas
vidas
Passam
Fábio
Roberto
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
PEDINTE
Solitária régua sem compasso,
incapaz de desenhar a curva.
Rio morto aguardando chuva.
A marcha que perdeu o passo.
Palavras numa boca muda.
Estória nunca terminada.
Terra livre, fértil e não lavrada.
Mãos ágeis que o vazio saúda
Coração novo e enferrujado.
A vida ausente de esperança.
Um mundo frio e inabitado
e mesmo assim na esquina dança,
memória de céu estrelado:
carrega o olhar de uma criança.
Fábio Roberto
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Poema de Ano Novo
Ter
esperança é lindo
e
simultâneo ínfimo
quando
o futuro findo
quando
desespero íntimo
Ter
esperança de novo
roda
da vida roda
quando
o futuro é corvo
quando
o presente é foda
O
que se sabe hoje
nunca
se soube agora
vomito
tudo fora
entranha
que me foge
sorriso
de outrora
mundo
que me enoje
Fábio
Roberto
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Pedidos de Natal de...
criança pobre:
banquete
baterista: baquetas
tarado: boquete
guloso: muito peru
goleiro: nenhum peru
peru: nenhum natal
humilde: votos de boas festas
padre: votos de castidade
político: votos
pobre: saúde
baterista: baquetas
tarado: boquete
guloso: muito peru
goleiro: nenhum peru
peru: nenhum natal
humilde: votos de boas festas
padre: votos de castidade
político: votos
pobre: saúde
remediado:
trabalho
rico: grana
homem: uma mulher
mulher: um homem
bi: os dois
rico: grana
homem: uma mulher
mulher: um homem
bi: os dois
crianças:
presente
saudosos: passado
saudosos: passado
velhos: futuro
papai noel: renascer super herói da marvel
Fábio Roberto
domingo, 18 de outubro de 2015
Ciclo Número Dois
Vozes emudecidas
Violões sem cordas
Cordas sem pescoço
O cérebro amortecido após tecido o sonho
Após ter sido o sonho um sonho
Um vazio
Um imenso, profundo e solene vazio
O silêncio escuta o grito
O delírio queima no ar
Copos e corpos inertes
Mortos a respirar
O brilho
Derradeiro suspiro
O futuro da morte:
o início
Fábio Roberto
(Musicada em 1987)
Violões sem cordas
Cordas sem pescoço
O cérebro amortecido após tecido o sonho
Após ter sido o sonho um sonho
Um vazio
Um imenso, profundo e solene vazio
O silêncio escuta o grito
O delírio queima no ar
Copos e corpos inertes
Mortos a respirar
O brilho
Derradeiro suspiro
O futuro da morte:
o início
Fábio Roberto
(Musicada em 1987)
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
TRADIÇÃO
Saiba, ela vai pro Santo.
Espírito que espreita em todo canto,
com a boca sedenta escancarada.
Coitado, o paraíso não tem cerva.
Bebe-se só néctar dos deuses,
ao som de líricas berceuses
e ele preferindo uma erva...
Por que foi ser honesto, sem pecado?
Agora, bar em bar caminha errante,
sóbrio, consciente, inconsolável.
Passo sem futuro, flutuante.
Prazer eternamente insaciável,
olho de zumbi, arregalado.
Fábio Roberto
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Sorriso
Viver é doloroso
Por isso o poeta sofre
Nasceu audacioso
Sua sorte jaz num cofre
Viver é doloroso
Por isso o poeta canta
Faz-se de corajoso
E das tumbas se levanta
Viver é doloroso
Por isso o poeta escreve
Um texto pecaminoso
Até isso ele se atreve
Viver é doloroso
Por isso o poeta ama
Cada dia milagroso
Ao lado da sua Dama
Viver é doloroso
Por isso o poeta cansa
E num gesto majestoso
Despede-se numa dança
Mas ele vai sorrindo
Quase inda esperançoso
Por isso o poeta findo
Viver é doloroso
Fábio Roberto
domingo, 5 de julho de 2015
Canção de Cecília e Alice
Crescer
Todo dia crescer
Nascendo
O que ainda vamos
ser
O sol
Nos iluminará
A noite
Nos aconchegará
Abraça-nos com um
sorriso
o amanhã
Faremos cada adulto
Aprender
Crescendo dia a dia
Como nós
Adultos nada sabem
De nascer
Crescer
Todo dia crescer
Nós duas,
Nossa mãe, nosso
pai
Amor,
A poesia do lar
A paz,
Repousando no ar
Faremos gente
grande
Compreender
Que o mundo é bem
mais simples,
Basta ver
Que os velhos
também passam
A depender
De mãos e de
cuidados
Pra viver.
Fábio Roberto
segunda-feira, 18 de maio de 2015
24 HORAS
Sempre
considerei injusta a divisão dia/noite tão equilibrada. O dia tem o sol
nascendo com seu calor e aconchego, a natureza parindo em cada flor que
desabrocha, pássaros cantando, a maioria dos trabalhadores se empilhando no transporte
público ou seguindo roboticamente solitários em seus automóveis. O padeiro que
vai assar os nossos pães, a mãe que leva o filho ao aprendizado escolar, os
cães procurando ossos por ofício, os amantes que deixam um motel, o bandido que
se esconde em sombras, carroceiros catando nosso lixo, beijos que encontram
lábios já de saudade ou lábios que se selam formalmente num até depois. Quando?
Quanto?
Mas a noite
tem tudo isso e os bêbados vagando, as prostitutas sem prostíbulos ou esquinas
fazendo sexo com quem procura amor, o apito do guarda noturno em si bemol,
pessoas uivando suas melancolias, bebês chorando serenatas, canções sendo
compostas por gênios que nunca terão aplausos, a lua num céu que só poetas
enxergam, estrelas que já passaram por ali, corujas procurando ninhos no
cimento e passos muito mais consistentes porque o escuro é mistério, medo,
dúvida e certeza.
A mulher que
eu amo é dia, mas é muito mais noite. É tudo e além. É sempre um querer sem
medidas, um relógio que eu queria atrasar para ter um pouco mais de alegria e
adiantar para ser eterno prazer.
É injusta a
divisão dia/noite tão equilibrada, porque a noite é agora e esperança, o dia é
amanhã e realidade.
A gente
sonha muito melhor na noite que nunca acaba.
Fábio
Roberto
sábado, 16 de maio de 2015
OS OLHOS DA LUA (RAISSA)
Pequena criatura
Os olhos da lua te
mostram o caminho
De outra missão
Corrente de água
começa outro mar
A vida não esquece
Se em alguém
permanece raiz e saudade
Morrer não é morte
Saudade é
transporte
Agora tua festa de
rabo-sorriso
É de estrela em
estrela, passeio bonito
Coleira de nuvens
Tão grande o teu
novo lar
Pequena criança
ouviu o assobio
O chamado, o pedido
desse outro amigo
Pois guarde esse
dono (o dono do mundo)
Tal como comigo
precisa tua brincadeira
Raízes de um
coração
Não batem, só
brilham
Não batem, só
brilham
Não bate, só brilha
Fábio Roberto
sábado, 9 de maio de 2015
AMAR
Eu penso que amar é
para fracos
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram taboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.
É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meus olhos a cor:
a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.
Devorando-a inteira e lentamente.
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram taboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.
É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meus olhos a cor:
a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.
Devorando-a inteira e lentamente.
fÁBIO rOBERTO(2008)
quinta-feira, 30 de abril de 2015
TEU TEMPO
Pra que correr se
és o tempo e tão menina
e para ti o dia
chega como brisa,
acarinhando teus
cabelos na esquina
da vida, cena que a
paisagem frisa
em nossos olhos
ansiosos e anciãos.
A nós o tempo já
não mais espera.
Já passou,
escorregando pelas mãos.
Morrer tranquilo e
feliz, ai quem me dera...
Fábio Roberto
segunda-feira, 30 de março de 2015
O OLHAR
Quem
irá entender as minhas palavras sem que passe pela cabeça que eu sou uma
atitude vaga e penso
sempre antes do momento existir?
Não tenho tempo para explicar o tempo do meu desgaste.
Não sou um bom amigo para beber cervejas sem falar bobagens próprias ou filosofar sobre uma frase de Thoreau.
Não sou um bom amante se não devorar a alma de quem amo e me entregar às mãos dessa amada como se ela fosse Deus.
Plantei filhos e para eles não transmiti mentiras sociais, para que pudessem colher da arte o alimento supremo na realização plena de suas vidas.
Eu sou um descasamento, sou certamente um errante. Um materializador de sonhos. Um destruidor de sonhos. Um pesadelo que fez sorrir.
Não sou um compositor de jingles, mas poderia colocar uma pimenta no seu doce de coco e vendê-lo como pipoca.
Tenho medo de dor de dente, tenho medo de dor no dedo, tenho medo de cebola.
Não
tenho medo da morte, mas não a aceito agora, sem antes encontrar com o meu destino
cara a cara com a faca na boca, a caneta na mão e um papel em branco para mostrar
a ele que a poesia não precisa assistir ao por do sol ou a uma luta.
Ou será que um cego não pode ser poeta?
Mas
não seria a morte encontrar-se finalmente com o destino?
Eu sei de tudo o que vivi ontem.
Eu sei de tudo o que vivi ontem.
O
meu ontem foi muito mais do que todas as vidas de muita gente.
Nossa,
como sou arrogante!
E
agora estou calmo demais.
O futuro está nos meus olhos.
O futuro está nos meus olhos.
O
futuro está nos teus olhos.
Resta
saber para onde iremos olhar.
Fábio
Roberto
domingo, 29 de março de 2015
EXEMPLO
Eu
sou um exemplo de homem.
Um
de uma intensa mulher e só.
Os
outros vulgarmente as comem,
maltratam
suas peles sem dó.
Usam,
abusam e somem.
Quando
nasce o dia o amor vira pó.
De
homem sou um modelo nobre e raro.
Um
que sempre ampara a sua dama.
Os
outros não deixam nada claro.
Só
as querem levar para uma cama.
Dizimam-lhes
o prazer como acaro.
Corações
nem no eletrocardiograma.
Já
eu sou incomparável como amante.
Satisfaço
plenamente a minha Deusa.
Os
outros querem os dotes de Bacante,
servem-nas
como vinho e adorno à mesa.
Depois,
em gesto ingrato e ultrajante,
oferecem-lhes
a solidão como surpresa.
Eu
e apenas eu sou desigual.
A
minha mulher é um sorriso eternamente.
As
outras, sem paixão tão surreal,
no
rosto uma tristeza transparente,
no
corpo uma doença terminal
e
a dor de uma alma evanescente.
Fábio
Roberto
domingo, 8 de março de 2015
Dia da Mulher
Uma mulher é realmente importante pra você quando ela não faz falta. Faz pênalti!
Faroberto
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
EXERCÍCIO DA GUERRA
Rajadas de metralhadoras são expelidas por consideradas bocas
santas. As más línguas, com seus ditados impopulares, espalham a notícia. O
Alfabeto traído, encurralado no beco escuro da ignorância, foi assassinado sem
dó nem piedade. A escrita e a fala não mais existem. O analfa matador de
aluguel grunhe um som ininteligível de vitória. Ao mesmo tempo, perto dali,
nasce a Mímica.
Fábio Roberto
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