sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Poeta Da Solidão

O poeta é uma multidão num só.
Janela não existe pra quem viu
o amor sem resposta virar pó,
como o mais lindo dia que existiu.

O poeta é multidão e solitário.
Cachorro que o dono morreu.
Garrafas vazias no armário.
Memórias do que nem aconteceu.

O poeta é um caminho sem retorno.
Multidão o habita, intensos sentimentos.
Criança que ainda nem saiu do forno.
Futuro enrugado e seus tormentos.

O poeta é multidão e mais queria.
Não lhe basta esse destino infinito.
Só a paixão da mulher que o amaria,
lendo um poema só na alma escrito.

Fábio Roberto

Insônia

Uma parte lutava pra dormir,
a outra insistia em pensar.
Fazendo uma parte se coçar,
a outra adorava oprimir.

Uma parte começou a deprimir,
outra não deixou de lhe espicaçar.
Essa parte só deixou de ameaçar,
quando a outra irritada fez bramir.

E assim noite adentro a esgrimir,
uma parte viu o tempo passar.
Desejando mais um pouco troçar,
a outra ficou a se consumir.

Breu confuso lhes restava exprimir.
Não puderam ou souberam conversar.
Duas vozes: a insônia a engessar
a ideia que nasceu só pra sumir.


Fábio Roberto

Circo

Um palhaço abandona o picadeiro,
cansado de sorrir pra sua desgraça.
Não mais vão lhe dizer “que isso passa”.
Uma festa onde não há mais brigadeiro.

Enterrem os seus sonhos, os aplausos.
Quem sabe em solo árido paz renasça.
Quem sabe se assim tristeza faça
a sua mente esquecer todos os causos.

Devorada a solidão pelo silêncio,
que a maquiagem borra em um frêmito.  
Lágrimas afogam a ponte pênsil

dos olhos. Só se escuta o gêmito.
O canto do universo soa tênsil,
quando a mão acena adeus em gesto rítmico.


Fábio Roberto

Tsunami

Quem é que tem o sono se o mundo gira
E gira sem parar até em hora imprópria?
Até o corpo acorda, se levanta e pira
Após a digestão inefável de mais uma obra

Quem é que tem o sono se a vida espreita
E espreita curiosa pela hora próxima?
Até se você dorme de pijama e a peita
Após excrementar o sonho que oxida

Quem é que tem o sono se a morte ronda
E ronda serelepe a hora em que aproxima?
E se aproxima e foge e morre como onda
Após que o tsunami afogue a obra-prima


Fábio Roberto

Eldorado

A rede balança o pensamento
oscilante de um lado pra outro lado.
Mas o mesmo e intacto sentimento
permanece em nós um eldorado.

Pergunta-se quão forte pode ser
um amor que não precisa jura ou prova.
Basta existir, saber, viver e ter.
Grão genuíno a cada dia se renova.

Delicado como o sopro de uma brisa.
Intenso como chuva benfazeja
que nos rega, limpa, acalma e batiza.

E assim, com a permissão da natureza,
nossa paixão o tempo vasto imortaliza,
admirado do tamanho da proeza.


Fábio Roberto

O Estertor da Poesia

Não sei por que eu teimo e escrevo
Talvez da poesia eu seja escravo
Juntar algumas sílabas me atrevo
Dedicando à lida um desagravo

O sentimento surge, logo cravo
Nem sei de onde vem, só o transcrevo
Se for suave dramatizo e agravo
Se for maldito e bravo só descrevo

Se me acabam as rimas, modifico
Pena que não é assim com a vida
Penso que estou, nem fui nem fico
Alma vagueando numa ermida

Ah palavra, agora eu te hiberno
Presa, ficarás em minha cabeça
Queimaremos juntos neste inferno
Até que a consciência desfaleça


Fábio Roberto

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SONATA


Soa o tempo retumbante allegro.
Respira a vida sóis e consequências
do que fui. Sorrio largo e desintegro
o futuro, minhas imprudências...

Soa o tempo vagaroso adágio.
Respira a vida, melancólica.
O vento forte traz outro presságio
A árvore que verga, simbólica.

Esta parte apresenta um minueto.
Dançando as folhas soltas dão o sinal.
Levanta-se, prepara-se o quarteto,

não segue partitura ou libreto.
Como um destino, chega ao final,
a minha sonata em forma de soneto.

Fábio Roberto


segunda-feira, 2 de abril de 2012

SÉRIE POEMAS

Sem Perspectivas

Sem pressa, fardo ou tormento
Poça de cal, sentimento,
Fecha os olhos e entrega a chave
Prisioneira ave

Nu de palavras e medos
Pobre de sóis e segredos
Nem adormeça teu pesadelo
Solidão e gelo

Teus passos não sobram rastro
Um horizonte sem lastro
Siga o destino, vida canalha,
Hora da mortalha

Fábio Roberto

segunda-feira, 19 de março de 2012

SÉRIE MÚSICAS

CALIDOSCÓPIO
HAVIA UMA PROMESSA
ARQUITETANDO O ESPAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
O NÓ APERTA O LAÇO
QUERIA SAIR DESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
O NÓ APERTA O LAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
QUERIA SAIR DESSA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
HAVIA UMA PROMESSA
ARQUITETANDO O ESPAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
O NÓ APERTA O LAÇO
QUERIA SAIR DESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
O NÓ APERTA O LAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
QUERIA SAIR DESSA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
HAVIA UMA PROMESSA
ARQUITETANDO O ESPAÇO...
(Fábio Roberto - musicada em 2007)
                              

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SÉRIE MÚSICAS

CHOVEU


Nada Pra dizer. Nada pra Sentir.
E eu não sei onde se esconde a madrugada
quando vem a luz.
Se é no meu coração cansado,
ou se em meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei onde se esconde a vida
que eu quero viver.
Se é no meu sonho fracassado,
ou se em meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei onde se esconde esse Deus
quando me vê assim.
Se é no meu corpo machucado,
ou se em meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei pra onde estão olhando
os olhos verdes daquela mulher.
Se para um momento do passado,
ou se ao meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei como me tragar à terra,
feito semente qualquer crescer,
transformar-me no verde dos olhos,
verdes olhos daquela mulher, olhar...

Fábio Roberto
(musicado por Titi Trujillo em 1982)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

SÉRIE TEXTOS

O ANO NOVO


O Ano Novo resolveu não nascer. De soslaio perscrutou o ambiente e resolveu continuar no casulo. Não gostou de nada do que viu. Pensou, que adianta chegar e tudo ser igual ou pior? Para que novamente tantas falsas promessas ou esperanças que seriam frustradas? Que ficasse tudo como estava, o Ano Velho se perpetuando coberto de insensatez, injustiças e maldades. Quem sabe a realidade se tornando tão cruelmente perene, pudesse em algum momento a vida sorver com a língua suas lágrimas.

E assim, decidido e irredutível, o Ano Novo fechou os olhos e adormeceu na manhã do último dia do Ano Velho. Este, ancião em frangalhos e com a alma carcomida pela dor, desesperou-se e gritou implorando descanso aos céus. Os Senhores do Tempo, subitamente surpreendidos pela inusitada ação do Ano Novo, convocaram uma reunião com todos os Anos Antigos, que estavam muito mais antigos, pois desde que o mundo se tornara mundo um se somava ao outro sem recesso, portanto o ano I era o Pai de Todos. O Pai de Todos os anos falou aos Senhores do Tempo que aquilo era inadmissível, um absurdo, uma afronta. Como aquele rebento que nem saíra ainda das entranhas da mãe eternidade se rebelava contra a lógica da existência? Exigiu uma providência enérgica falando em nome de todos os Anos Antigos e principalmente pelo Ano Velho atual, que tremia em espasmos desesperados, numa espécie de Parkinson aflorado pelo medo. Mas o que os Senhores do Tempo poderiam fazer? Não havia como obrigar o Ano Novo acordar se ele não quisesse. A situação foi piorando e ficando catastrófica, pois no planeta os preparativos para as festas da virada do ano prosseguiam despreocupadamente, até que o Ano Velho avisou que exatamente à meia-noite também adormeceria para o horizonte.

E assim aconteceu. Sob os olhos estupefatos dos Senhores do Tempo e defronte aos boquiabertos Anos Antigos, o Ano Velho deitou-se em nuvens ao lado do Ano Novo, apagando-se rapidamente. Silenciosos e num sono profundo, ambos passaram a sonhar o mesmo sonho: um tempo que merecesse ter continuidade. Ninguém ainda percebeu que desde aquele dia o ano não muda, não vai pra frente nem retorna. E os dois ainda estão lá, sonhando. Quem sabe desta vez, quem sabe desta vez o Ano Novo acorde...

(fábio roberto- dez2009)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SÉRIE MÚSICAS


IMAGINAR

Última noite que canto
Onde muito me ouviu
Onde sereno ou intranqüilo
Aprender aprendi

Sonoridade a verdade da minha emoção
Silenciosas paredes, olhares, ações

Se as paredes têm ouvidos
Souberam escutar
Mudas, pois assim quiseram,
Saberão calar

E os sons que nós fizemos
Por elas vão estar
Por tudo o que pudemos viver,
Imaginar,
Dizer,
Imaginar,
Morrer,
Imaginar,

Cantar.


Fábio Roberto
(Musicado por Titi Trujillo em 1985)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SÉRIE POEMAS

MIRAGEM

O tempo não foi complacente hoje
Nem pretendia. Nunca o será.

O tempo, sem pressa e rápido, me foge.

Descortinará
As pálpebras.

Álgebra
Somando o vazio
Com o psiu
Solitário na madrugada.

Lua estatelada
No céu
Escuro.

Véu
Que cobre o muro
Onde meu carro, imaginando não mais ser matéria,
Encontrará o impacto da realidade crua.

Pior teria sido cortar a artéria
Nua
Do pensamento, antes que a hora passasse
Sem que minha alma se costurasse
À tua.

A rua
Bebe insaciável o meu vinho
E me engole toda dor.

Vinho, derramado vinho. Adivinho
Qual a dor.

Sorrio ao tempo e lhe digo:
Tu e eu somos eternos,
Caro amigo.

O tempo me abraça forte e terno
E desaparecemos dos nossos olhos feito miragem.
Fumaça, névoa, neblina que o vento dispersou na paisagem.

Fábio Roberto

domingo, 30 de outubro de 2011

SÉRIE POEMAS

LÁGRI-MAR

QUERIA SER O MAR
SEMPRE LÁ E SEMPRE EM OUTRO LUGAR
ÁGUAS SEMPRE RENOVADAS IRRIGANDO A TERRA
ÁGUAS QUE REFRESCAM CARINHOSAMENTE CORPOS A SALGAR
OU
QUE DESTROEM VIOLENTAMENTE A CIDADE QUE INDEFESA BERRA

QUERIA SER O MAR
SEMPRE LÁ E SEMPRE EM OUTRO LUGAR
MAS SOU FOGO DE QUEIMAR QUIMERAS
OU
LABAREDA DE ACENDER AS FERAS
SOU FOGO DE AGUARDENTE , UM JOGO A  SE JOGAR

QUANDO CANSADO, O FOGO REFLETIDO EM MEUS FARÓIS
 VER-SE-Á DEITANDO COM O LUAR PELOS QUINTAIS
CANTAREI SUSSURANDO, A ÚLTIMA CHAMA, LIVRE DOS ANZÓIS:
“BEIRA-MAR É UM BOM LUGAR, OLHOS VÃO NÃO VOLTAM MAIS...”

TEREI SIDO FOGO E FINALMENTE... MAR.


Fábio Roberto

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SÉRIE SEI LÁ

Kardecista de Araque

Sou um kardecista no coração, um ateu na cabeça e um homem-bomba nas atitudes. Porque eu tenho uma mediunidade insuportável. Não posso olhar profundamente o olhar das pessoas, nem de um cão-pessoa. Maldito este dom. Um Inferno este poder. Eu coloco os óculos escuros de manhã, de tarde, de noite, de madrugada e não adianta. Eu vejo. Passado e presente. Acordado, dormindo ou sonhando, se eu olhar eu vejo. Isso basta para vislumbrar o daqui a pouco. Mesmo que um dia eu me torne cego eu já vi, eu vi os olhares, eu entrei dentro deles, eu senti cada riso, desespero, esperança, temor. Eu guardarei em mim, eu vi, eu vejo e não queria saber o que sente cada alma. Eu acabo escrevendo, compondo, descrevendo, vendo...

Olhei, sem desviar, os olhos de um cego e eles, com luz e ao mesmo tempo apagados, eram farol procurando o horizonte e eram farol guiando a escuridão. Que agonia olhar os olhos desse cego.

Olhei os meus olhos no espelho agora.  Rapidamente. Não tive coragem de olhar por mais de alguns segundos. Só os percebi marejarem ondas de alegria. Que medo. Que medo de olhar profundamente nos olhos de alguém. Até de olhar os meus olhos eu tenho medo. Kardecista de Araque!

Fábio Roberto (de olhos fechados)

sábado, 1 de outubro de 2011

SÉRIE TARDES

TARDE NO CEMITÉRIO

Para um coveiro os mortos são os ossos do ofício.

Claro que a tv do coveiro tem fantasmas.

Um coveiro realmente tem que ter presença de espírito.

Para o dono do cemitério um cadáver no caixão vale mais do que dois no necrotério.

Vegetariano pode virar presunto?

Para o defunto tudo são flores.

Existe atitude mais extremista do que dar a extrema unção?

Brancos, negros ou amarelos quando morrem viram cinzas.

Morrer deve sem bom, porque as caveiras nunca deixam de sorrir.

Sempre tem um vivo de olho em uma viúva rica.

Pode fofocar agora porque um dia sua boca será um túmulo.

Nesta sociedade o homem só deixa de ser um cpf quando passa a ser uma lápide.

Epitáfio de viciado: do pó ao pó.

Epitáfio de convencido: meus pêsames para todos vocês.

Epitáfio de indigente: terra à vista!

Os vermes não tem preconceito: não fazem distinção de raça, credo, posição social ou beleza; E a humanidade não consegue...

Para a mulher viuvez é o contrário de gravidez: dói quando o parceiro morre, mas nove meses depois volta com tudo a ativa.

Ironia mesmo é um bombeiro ser cremado.

Ser dono de funerária. Isso é que é apostar no futuro

Quem conta piada em velório acha que existe tumor benigno.

O ateu revirou na tumba quando rezaram uma missa de sétimo dia para ele...

Toda música ruim e de mau gosto é fúnebre.

Fábio Roberto

SÉRIE MÚSICAS

TEATRO


Passando pela vida,
pela curva de qualquer esquina perdida,
o horizonte não se enquadra nos olhos.

Tudo é nuvem espessa, longo caminho.
E todo dia a cortina se levanta.
A história se faz linda, violenta.
O destino improvisa o momento,
deslocado no tempo e no espaço sombrio.
Dramas e comédias de um roteiro
que ninguém escreveu.

Passando por aí,
pela curva de qualquer esquina perdida,
a vida não se enquadra nos olhos
de quem a vê.



              Fábio Roberto (musicado em 1991)

domingo, 25 de setembro de 2011

SÉRIE TEXTOS

ÓCULOS ESCUROS


Vim com somente meus dois olhos claros cor de mel e alguma fotofobia para a claridade mundana deste planeta.
Hoje eu os tenho junto com apenas meus tênis furados, de quem tanto gosto.
Assim como amei todos os anteriores, que foram se desgastando aos poucos por tanto uso. A gente não consegue viver sem nossos tênis companheiros e insiste, insiste em tê-los até quando furam, rasgam, se desintegram...
Então a gente sofre mas os abandona e adquire novos tênis que ficarão velhos também.

Será que amar é assim?
Feito um par de tênis que se ajusta aos nossos pés e depois se desintegra?

O amor vai se moldando ao nosso corpo inteiro, invade, domina, toma tudo.
Fica gostoso, aconchegante, perfeito. Torna-se uma extensão de nós, nos completa.
Não se imagina a vida sem ele. Ele passa do sangue para a alma.
Passamos a ser um só. Corpo, pés, alma, sorriso, lágrimas. Amar é compartilhar tudo.
Tal qual com o nosso velho par de tênis, não damos mais um passo sem ele.
Até que o amor nos enxerga como a um sapato velho e rasgado e nos deixa num canto sem pés, sem amor, vazios.

Será que a vida é assim?
Feito um par de tênis e o amor que se moldam a nós e depois se desintegram?

Nosso corpo vai se adaptando a cada fase do tempo, enquanto desenvolvemos o intelecto, a sensibilidade e todas as variáveis que compõe um ser humano. Aprendemos a valorizar cada respirar e nossas conquistas, até os tênis e os amores. Crescemos com nossas famílias, realizamos sonhos e continuamos desejando realizar todos os sonhos impossíveis. Até que o esqueleto reclama a sua idade. Mas como não se troca esqueletos, a alma busca novos ossos, pois que os velhos se desintegraram.

Vim com meus olhos cor de mel e tudo foi ficando mais claro, a ponto da minha fotofobia se tornar tão intensa que os olhos do meu coração estão se fechando.
Nunca mais vou usar tênis.
Nem vou amar novamente.
Tampouco terei outra vida.
Não há mais óculos que escureçam tudo o que vejo, sei e sinto claramente.

Fábio Roberto

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

ADVERSOS

Escreve numa porta de banheiro
O poeta, versos pra sua amada
Sim, pois o poeta é por inteiro
Mesmo com seu riso na privada

Escreve o poeta em cemitério
Versos tão festivos pra sua amada
Ele não teria o rosto sério
Mesmo se a paixão fosse enterrada

Escreve o poeta em uma cova
Sim, são versos pra sua amada
Cabelos do esqueleto ele escova
Feliz, mesmo já sendo alma penada

Escreve pra sua amada até no inferno
Versos com a palavra amaldiçoada
Pra alguns soa romântico e pós-moderno
Mas os nenhuns recebem como bofetada

Segue o poeta rindo ao paraíso
Vendo o amor em face bela e iluminada
Tantos versos feitos de improviso
Só importavam mesmo a sua amada!

Fábio Roberto