quarta-feira, 30 de outubro de 2019

AMBIGUIDADE


Quando muito sou pedaços
E cada parte é dolorida
E se sobraram espaços
São das próximas feridas

Isso não é fatalismo
É realidade que surge
Os pés à frente do abismo
Atrás uma fera que ruge

Diga, existe esperança?
Eu pulo e saio voando?
Morte não aceita fiança
Nem o inferno memorando

Tudo se passa em segundos
E demora uma eternidade
Sentimentos assim vagabundos
Revelam a ambiguidade

Se o medo é do alívio
Do fim ou da continuidade
A certeza do oblívio
Que a vida é insanidade

Fábio Roberto

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

VISÃO



Eu vi uma mulher apaixonante
E ela certamente assumiu
O meu olhar distante, dissonante
Aquele de quem quase já partiu

Talvez ela olhasse para todos
Mas era só eu quem flutuava
Os outros se chafurdavam nos lodos
Natural, a mim ela excitava

Foi rápido e tão menos do que o instante
Paixão que nenhum de nós tivera
Outrora, já e nunca ou adiante
 Morreu como morre a primavera

Fábio Roberto


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

SINCERIDADE


SEDIÇÃO


PROVECTO


TALVEZ


PERSPECTIVAS


OTIMISMO


O GOLE


MUNDO


METADE


MELANCOLIA


C asa


BUCHAS


ÂMAGO


sábado, 31 de agosto de 2019

DESESPERO


Eu não tenho mais motivos
E igualmente eles não me têm
Seja pra continuar a vida
Seja pra morrer, também
Tanto faz tamanha a minha fome
Muito eu faria por imensa sede
Não importa que o sangue não sacie
Nem quando o fato encontra uma parede
Mesmo que eu sonhasse paisagens belas
Eu as veria com olhos de rua
Se na sarjeta a emoção dormisse
Feito o adeus de uma Musa nua
E nela eu perdesse os meus pensamentos
Porque em mim talvez fosse ela eterna
Quem sabe nunca houvera existido
Ou sido a luz no fundo da caverna?
Queria eu o fim da minha história
E junto com ela a gana por vingança
É um desespero ainda ter vontades
Sorrir, assim, como sorri criança
Fábio Roberto