domingo, 31 de maio de 2020

VÔ A MIL


Duas,
Elas são Dez,
Dez anos Duas vezes.
O meu sorriso é em Dobro,
dobradura, origami.

Elas, Dueto.
Em duelo do belo,
empatam.
Vencem em Dupla,
mas cada Uma é Uma.

Uma e Uma, Únicas e Universais.
Cada verso, cada versão,
geminiana diversão
multiplicada por Uma e Uma,
Mil vezes:

Elas são Demais!


Fábio Roberto, maio/2020


ILUSÃO


quinta-feira, 7 de maio de 2020

VELHICE




Envelhecer é esvaziar-se inteiro.
É o emagrecer da alma.
Raiz desprendida da terra.
O desespero da calma.
Uma saudade que berra.
História em fuga do roteiro.

Envelhecer é o final da vela
E as rugas no rosto sombrio.
A palavra que encerra livros.
É o leito seco de um rio
O ocaso do deus Eros.
A tinta que borrou a tela.

Envelhecer é doença de infância.
Uma dor que não tem cura.
É passar muitas vontades.
A noite quieta e escura.
É perder as vaidades.
A sirene de uma ambulância.

Envelhecer é apagar o farol.
Violão de corda quebrada.
O tremor da mão que acena.
Assistir a morte da amada.
E é saber que valeu a pena
Viver cada nascer do sol.

Fábio Roberto


MULTIDÃO


ROTINA


quarta-feira, 6 de maio de 2020

PASSEIO


POSFÁCIO


















(Dedicado a Flavio Migliaccio e a todos os artistas que fizeram e fazem deste mundo um lugar mais suportável de estar)

sexta-feira, 17 de abril de 2020

FIM DE QUARENTENA

Eu não posso abraçar a tua causa,
Meu abraço agora está proibido.
Guardo desejo e a enorme libido.
Nosso filme em estado de pausa.

Não adianta insistir no convite,
Dançando bela e desnuda na live.
Feche os olhos, garota, just drive,
Em sonho para além do limite.

Mas tua voz sensual no whatsapp
Foi um canto, doce e rouco gemido.
Um poema de amor pervertido,
Que acabou com o meu jogo esse zape.

Que se dane a tal da pandemia,
Pra fantasia já vou mascarado,
Revelando só o olhar de tarado:
 Se eu morrer, morrerei na boemia.


Fábio Roberto