terça-feira, 12 de outubro de 2021
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
QUASE
... e foi assim que acordei naquele dia decidido a nunca mais amar, eu deletaria os poemas inspirados pelas musas que me invadiram pra depois desaparecerem subitamente, restando-me um coração devastado e apagaria as canções que eternizavam essas paixões poderosas e instigantes de outrora, que seriam levadas pelo vento a lugar nenhum, como um eco que fora se desfazendo no ar até sumir, tempestade que se tornaria brisa deixando silêncio, sombra, uma solidão de náufrago sem nem mar, céu ou sentimento e assim acordei e tinha decidido fazer isso, nunca mais amar, prostrando-me no frio congelante e miserável que a minha alma percebia, e eu flutuava no vácuo desta mente desprovida de memória, saudade, alegria ou dor, e exatamente nessa hora, quando eu já era absoluta ausência, inverso de qualquer futuro, sem localização, história, espaço, referência ou medo, apenas os olhos insistiam em permanecer levemente abertos, lutando ainda contra o cansaço ao qual eu me entregara há mais tempo do que a minha idade e eu pedia para que os meus olhos se fechassem e me deixassem morrer a esperança, afinal eu decidira nunca mais amar, sofrendo para alcançar essa firmeza ao ponto sem volta, sem possibilidade de revisão, pois não era mais ensaio, era estar nas luzes do palco, era o momento em que a derradeira declamação atinge o clímax da poesia e o último canto soa retumbante aquela nota que define a beleza da música, portanto o segundo em que é impossível retroceder, pois impusera-se o definitivo, mas uma fresta de olhar ficou brilhando, brilhando, mesmo sem paisagem pra admirar ou lágrima pra derramar, na verdade permaneceu quase sorrindo, talvez, indiferente a qual motivo fosse e não seria ironia eu acordar e decidir nunca mais amar e você, justo nesse instante, se deitar ao meu lado?
Fábio Roberto
quinta-feira, 22 de julho de 2021
terça-feira, 4 de maio de 2021
sábado, 3 de abril de 2021
quinta-feira, 18 de março de 2021
sábado, 27 de fevereiro de 2021
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
domingo, 3 de janeiro de 2021
CENA
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
SUB VERSIVO
Quando nem mesmo sei se estou vivo
Consideram-me tanto e o que foge
O que sinto será subjetivo?
Creio que neste agora despoje
Tudo o que nâo sou-me subversivo.
sábado, 14 de novembro de 2020
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
sábado, 24 de outubro de 2020
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
CLAVE DE FÁbio
SAL
Esse não sou eu, então que eu pare antes que me canse.
Eu sou um poeta maldito que as palavras no papel vomita,
feito comida deteriorada e fria de suja marmita.
A minha poesia é para ser lambida pelos cães sem donos,
aqueles que bebem as águas apodrecidas nas sarjetas,
uivando para receber réstias de luar, como gorjetas
clamadas pelos miseráveis que habitaram tronos.
O que escrevo é uma ferida purulenta que nunca cicatriza.
É um sentimento que invade. Não se doma. Não se exorciza.
Corrói por ser lava que desce fumegante a encosta,
queimando a alma numa dor tão forte e poderosa que se gosta.
Estas são as declarações de amor deste visionário insano.
O sabor da minha boca pode ser amargo, estranho, obsceno.
Nunca será doce, tampouco suave. Eu não existo ameno.
Sou o tempero mergulhado sob as ondas do oceano.
Fábio Roberto





foto Julia Goralski-Unsplash












