terça-feira, 22 de novembro de 2011

SÉRIE MÚSICAS


IMAGINAR

Última noite que canto
Onde muito me ouviu
Onde sereno ou intranqüilo
Aprender aprendi

Sonoridade a verdade da minha emoção
Silenciosas paredes, olhares, ações

Se as paredes têm ouvidos
Souberam escutar
Mudas, pois assim quiseram,
Saberão calar

E os sons que nós fizemos
Por elas vão estar
Por tudo o que pudemos viver,
Imaginar,
Dizer,
Imaginar,
Morrer,
Imaginar,

Cantar.


Fábio Roberto
(Musicado por Titi Trujillo em 1985)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SÉRIE POEMAS

MIRAGEM

O tempo não foi complacente hoje
Nem pretendia. Nunca o será.

O tempo, sem pressa e rápido, me foge.

Descortinará
As pálpebras.

Álgebra
Somando o vazio
Com o psiu
Solitário na madrugada.

Lua estatelada
No céu
Escuro.

Véu
Que cobre o muro
Onde meu carro, imaginando não mais ser matéria,
Encontrará o impacto da realidade crua.

Pior teria sido cortar a artéria
Nua
Do pensamento, antes que a hora passasse
Sem que minha alma se costurasse
À tua.

A rua
Bebe insaciável o meu vinho
E me engole toda dor.

Vinho, derramado vinho. Adivinho
Qual a dor.

Sorrio ao tempo e lhe digo:
Tu e eu somos eternos,
Caro amigo.

O tempo me abraça forte e terno
E desaparecemos dos nossos olhos feito miragem.
Fumaça, névoa, neblina que o vento dispersou na paisagem.

Fábio Roberto

domingo, 30 de outubro de 2011

SÉRIE POEMAS

LÁGRI-MAR

QUERIA SER O MAR
SEMPRE LÁ E SEMPRE EM OUTRO LUGAR
ÁGUAS SEMPRE RENOVADAS IRRIGANDO A TERRA
ÁGUAS QUE REFRESCAM CARINHOSAMENTE CORPOS A SALGAR
OU
QUE DESTROEM VIOLENTAMENTE A CIDADE QUE INDEFESA BERRA

QUERIA SER O MAR
SEMPRE LÁ E SEMPRE EM OUTRO LUGAR
MAS SOU FOGO DE QUEIMAR QUIMERAS
OU
LABAREDA DE ACENDER AS FERAS
SOU FOGO DE AGUARDENTE , UM JOGO A  SE JOGAR

QUANDO CANSADO, O FOGO REFLETIDO EM MEUS FARÓIS
 VER-SE-Á DEITANDO COM O LUAR PELOS QUINTAIS
CANTAREI SUSSURANDO, A ÚLTIMA CHAMA, LIVRE DOS ANZÓIS:
“BEIRA-MAR É UM BOM LUGAR, OLHOS VÃO NÃO VOLTAM MAIS...”

TEREI SIDO FOGO E FINALMENTE... MAR.


Fábio Roberto

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SÉRIE SEI LÁ

Kardecista de Araque

Sou um kardecista no coração, um ateu na cabeça e um homem-bomba nas atitudes. Porque eu tenho uma mediunidade insuportável. Não posso olhar profundamente o olhar das pessoas, nem de um cão-pessoa. Maldito este dom. Um Inferno este poder. Eu coloco os óculos escuros de manhã, de tarde, de noite, de madrugada e não adianta. Eu vejo. Passado e presente. Acordado, dormindo ou sonhando, se eu olhar eu vejo. Isso basta para vislumbrar o daqui a pouco. Mesmo que um dia eu me torne cego eu já vi, eu vi os olhares, eu entrei dentro deles, eu senti cada riso, desespero, esperança, temor. Eu guardarei em mim, eu vi, eu vejo e não queria saber o que sente cada alma. Eu acabo escrevendo, compondo, descrevendo, vendo...

Olhei, sem desviar, os olhos de um cego e eles, com luz e ao mesmo tempo apagados, eram farol procurando o horizonte e eram farol guiando a escuridão. Que agonia olhar os olhos desse cego.

Olhei os meus olhos no espelho agora.  Rapidamente. Não tive coragem de olhar por mais de alguns segundos. Só os percebi marejarem ondas de alegria. Que medo. Que medo de olhar profundamente nos olhos de alguém. Até de olhar os meus olhos eu tenho medo. Kardecista de Araque!

Fábio Roberto (de olhos fechados)

sábado, 1 de outubro de 2011

SÉRIE TARDES

TARDE NO CEMITÉRIO

Para um coveiro os mortos são os ossos do ofício.

Claro que a tv do coveiro tem fantasmas.

Um coveiro realmente tem que ter presença de espírito.

Para o dono do cemitério um cadáver no caixão vale mais do que dois no necrotério.

Vegetariano pode virar presunto?

Para o defunto tudo são flores.

Existe atitude mais extremista do que dar a extrema unção?

Brancos, negros ou amarelos quando morrem viram cinzas.

Morrer deve sem bom, porque as caveiras nunca deixam de sorrir.

Sempre tem um vivo de olho em uma viúva rica.

Pode fofocar agora porque um dia sua boca será um túmulo.

Nesta sociedade o homem só deixa de ser um cpf quando passa a ser uma lápide.

Epitáfio de viciado: do pó ao pó.

Epitáfio de convencido: meus pêsames para todos vocês.

Epitáfio de indigente: terra à vista!

Os vermes não tem preconceito: não fazem distinção de raça, credo, posição social ou beleza; E a humanidade não consegue...

Para a mulher viuvez é o contrário de gravidez: dói quando o parceiro morre, mas nove meses depois volta com tudo a ativa.

Ironia mesmo é um bombeiro ser cremado.

Ser dono de funerária. Isso é que é apostar no futuro

Quem conta piada em velório acha que existe tumor benigno.

O ateu revirou na tumba quando rezaram uma missa de sétimo dia para ele...

Toda música ruim e de mau gosto é fúnebre.

Fábio Roberto

SÉRIE MÚSICAS

TEATRO


Passando pela vida,
pela curva de qualquer esquina perdida,
o horizonte não se enquadra nos olhos.

Tudo é nuvem espessa, longo caminho.
E todo dia a cortina se levanta.
A história se faz linda, violenta.
O destino improvisa o momento,
deslocado no tempo e no espaço sombrio.
Dramas e comédias de um roteiro
que ninguém escreveu.

Passando por aí,
pela curva de qualquer esquina perdida,
a vida não se enquadra nos olhos
de quem a vê.



              Fábio Roberto (musicado em 1991)

domingo, 25 de setembro de 2011

SÉRIE TEXTOS

ÓCULOS ESCUROS


Vim com somente meus dois olhos claros cor de mel e alguma fotofobia para a claridade mundana deste planeta.
Hoje eu os tenho junto com apenas meus tênis furados, de quem tanto gosto.
Assim como amei todos os anteriores, que foram se desgastando aos poucos por tanto uso. A gente não consegue viver sem nossos tênis companheiros e insiste, insiste em tê-los até quando furam, rasgam, se desintegram...
Então a gente sofre mas os abandona e adquire novos tênis que ficarão velhos também.

Será que amar é assim?
Feito um par de tênis que se ajusta aos nossos pés e depois se desintegra?

O amor vai se moldando ao nosso corpo inteiro, invade, domina, toma tudo.
Fica gostoso, aconchegante, perfeito. Torna-se uma extensão de nós, nos completa.
Não se imagina a vida sem ele. Ele passa do sangue para a alma.
Passamos a ser um só. Corpo, pés, alma, sorriso, lágrimas. Amar é compartilhar tudo.
Tal qual com o nosso velho par de tênis, não damos mais um passo sem ele.
Até que o amor nos enxerga como a um sapato velho e rasgado e nos deixa num canto sem pés, sem amor, vazios.

Será que a vida é assim?
Feito um par de tênis e o amor que se moldam a nós e depois se desintegram?

Nosso corpo vai se adaptando a cada fase do tempo, enquanto desenvolvemos o intelecto, a sensibilidade e todas as variáveis que compõe um ser humano. Aprendemos a valorizar cada respirar e nossas conquistas, até os tênis e os amores. Crescemos com nossas famílias, realizamos sonhos e continuamos desejando realizar todos os sonhos impossíveis. Até que o esqueleto reclama a sua idade. Mas como não se troca esqueletos, a alma busca novos ossos, pois que os velhos se desintegraram.

Vim com meus olhos cor de mel e tudo foi ficando mais claro, a ponto da minha fotofobia se tornar tão intensa que os olhos do meu coração estão se fechando.
Nunca mais vou usar tênis.
Nem vou amar novamente.
Tampouco terei outra vida.
Não há mais óculos que escureçam tudo o que vejo, sei e sinto claramente.

Fábio Roberto

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

ADVERSOS

Escreve numa porta de banheiro
O poeta, versos pra sua amada
Sim, pois o poeta é por inteiro
Mesmo com seu riso na privada

Escreve o poeta em cemitério
Versos tão festivos pra sua amada
Ele não teria o rosto sério
Mesmo se a paixão fosse enterrada

Escreve o poeta em uma cova
Sim, são versos pra sua amada
Cabelos do esqueleto ele escova
Feliz, mesmo já sendo alma penada

Escreve pra sua amada até no inferno
Versos com a palavra amaldiçoada
Pra alguns soa romântico e pós-moderno
Mas os nenhuns recebem como bofetada

Segue o poeta rindo ao paraíso
Vendo o amor em face bela e iluminada
Tantos versos feitos de improviso
Só importavam mesmo a sua amada!

Fábio Roberto

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

CELEIRO
Pouco de mim resta-me inteiro.
Colo-me aos pedaços de minhas sobras.
Sem gabaritos, linhas, elos, dobras,
reconstruo-me com esmero de engenheiro.

Em cada parte no revés do chão jazia,
mas fui-me recolhendo da poeira.
Faxinei-me até toda a sujeira
da frustração, sobrar-se íntima e vazia.

Nada mais existo além de vida.
Meus olhos os que fitam-me primeiro,
diamantes garimpados na jazida,

aprovam-me no espelho do meu rosto.
Minh’alma recupera-me em seu posto.
Retorno-me discreto ao meu celeiro.

                       Fábio Roberto

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

MIJO E PAIXÃO

Houve o tempo de belo regozijo
Quando então aproveitamos o ensejo
De executarmos um humilde mijo
Reconfortante, denso e benfazejo

Ah, o mijo quente que nos abandona
Deixando o frio veículo em mãos
Um pênis murcho que perdeu a dona
Do liquido filtrado pelos rins irmãos

Mas existe festa onde houver bexiga
Aliviada de excretos eliminados
Tal qual uma criança com lombriga

De estômago e olhos saciados
Privada ungida pela urina amiga
Descarga de uréteres apaixonados

                    Fábio Roberto

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SÉRIE MÚSICAS


METADE


SE NÃO POSSO ESTAR NUM LUGAR,
PELA MÚSICA EU ESTOU LÁ
PELA VONTADE DE ESTAR,
PELA SAUDADE.

SE NÃO POSSO FICAR NO LUGAR
PELA MÚSICA EU FICO LÁ.
PELA REALIDADE DE ESTAR
PELA METADE.

 Fábio Roberto
   (Musicado em 1981)

                                 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS


C asa


e eu pensando em nós dois numa casa

e eu pensando em nós dois

numa casa

pensando

nós dois

casa

nós

nó

2                                                        asas

nó

nós

casa

nós dois

pensando

numa casa

e nós pensando em nós dois

e nós pensando em nós dois numa casa

                                                 Fábio Roberto

sábado, 16 de julho de 2011

SÉRIE POEMAS

AMAR

Eu penso que amar é para fracos
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram táboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.

É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meu olhos a cor:

a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.

Devorando-a inteira e lentamente.

Fábio Roberto

quarta-feira, 13 de julho de 2011

SÉRIE MÚSICAS

CÉU E INFERNO

O amor quando céu o amor busca ser.
O amor busca o seu prazer,
Viver.

Mas o amor, quando não, quando nem mais talvez,
É o inferno de não ser mais,
Morrer.

E não olha pra trás, pois tem medo da dor.
Ou tem medo até de não sentir a dor
E de não esquecer
Tal amor que, finito,
Durou só o tempo de ser
Tão bonito...
  
   Fábio Roberto
(musicado em 2007)

terça-feira, 5 de julho de 2011

SÉRIE POEMAS

OLHA MARILI

Olha menina, eu bem te queria
Fazer  uma presa da fotografia
Paisagem rebelde, se esconde,  se mexe,
Fugindo da cena,  das luzes do flash

Mas  não te entendo,  inteira beleza
Refletes no espelho, a  vida em pureza
Saiba menina,  o sonho te espera
Para a primavera vestir teu olhar

Meiga e selvagem, humilde e ousada
Pulsando energia sã, delicada
Arde menina, eu te vejo nua
Como fosses lua beijando a maré

Não tens moldura, retrato fugindo
Deixando alegria, brilhando, se abrindo
E vais declamando poemas assim
Como fosses rio que nunca tem fim

Sobrevoando palavras, menina,
O tempo é um dia que não terminou
Foge menina, teu sonho te espera
Não há uma quimera onde se perder

Anda Menina, pois eu só teria
A minha poesia pra te oferecer
Corra Menina, da minha agonia
Da fotografia que quer te prender...

Fábio Roberto - para Marili Gabriel

SÉRIE TEXTOS

CARTA DE DESPEDIDA

Decidi virar um ermitão. Amanhã irei embora para longe, sem passado. Não tenho grana para deixar. Rasguei todos os meu documentos, cartões de todos os tipos. O violão também fica. Que o pegue quem quiser. As minhas pastas de músicas, os cadernos de poesias, contos e palavras soltas ficarão na gaveta, junto com cds, fotos, filmes e todas as lembranças de quem não sou mais. Os computadores e seus arquivos não me sobram importância. Os bancos que busquem os carros, pois para onde vou só chego com meus pés. Estou muito aliviado em me transformar finalmente num ser arredio e solitário. Prefiro estar a margem desta sociedade cansativa e rotineira. Que bom deixar o cabelo crescer até os ombros, nunca mais colocar um sapato. Não precisar falar bom dia, boa noite, boa tarde, como vai, e aí, tudo bem, quanto tempo, te amo, te quebro, que raiva, que alegria, que merda, que delicia, me liga, quanto custa, quanto falta, que horas são... Que maravilhoso será o silêncio da minha mente ausente de sonhos, desejos, vontades, frustrações, arrependimentos, orgulhos, realizações. Mais nenhuma oração será preciso, darei descanso eterno a Deus. Uma existência sem celular, tv, rádio, notícias, emails, pessoas, bondade ou maldade. A minha boca não sentirá mais os sabores amargos das bebidas que fizeram tão mais doce a realidade que terminou. Deixarei livre todas as pessoas que amo, porque amar de verdade talvez seja assim. Amar e partir. Amanhã, quando subirem as cortinas dos meus olhos, seguirei esse destino derradeiro. Será impossível me seguir porque estarei escalando uma montanha que só eu vejo. E lá na minha caverna, bem no topo, admirando o horizonte do mundo a luz de uma fogueira aconchegante e sentindo o abraço da escura noite, aquela maldita e única lágrima secará em meu rosto. Vou fechar os olhos respirando o cheiro de mato trazido pelo vento e sorrir. Vou voltar a sorrir por estar novamente tão perto e tão longe da vida.

Fábio Roberto

segunda-feira, 4 de julho de 2011

SÉRIE TEXTOS

VIDA

Era uma vez um poeta. Por ser poeta era um sonhador. Por ser sonhador, dele a vida escarnecia, abusava, chegava a judiar. Nem era um tão brilhante poeta, mas vivia tão como poeta que rimava seus passos. Via imagens em preto em branco e as descrevia coloridas, porque as coloridas ficavam lindas romanceadas em preto e branco. Sonorizava batidas de coração com melodias ora suaves ora agressivas. Quando abria os olhos podia ser visto até a primeira geração de suas existências pregressas. Ninguém entendia, nem ele, a confusão de tantas certezas e a resposta habitava em sua alma e nas cicatrizes do seu corpo. Transparente e etéreo que era, o amor o atravessava. Não conseguia reter o amor. Procurava o amor como o olfato ao aroma, ou carbono e água a luz. Mas o resultado da sua fotossíntese era sempre solidão. Assumindo a marginalidade da sua poesia maldita, desistiu de amar. Entretanto, insistentemente continuou a preencher linhas e linhas, palavrando de sentimentos e emoções os passageiros personagens do seu filme. Um dia esse poeta incansável cansou de ser poeta, despertou de todos os sonhos, acendeu a realidade, embaralhou suas rimas, silenciou o coração e desconfundiu-se apagando todas as linhas preenchidas, relendo apenas as cicatrizes d’alma e corpo. Finalmente a luz transformara carbono e água em oxigênio e o olfato encontrara o aroma desse último alento. O poeta sorriu antes do apagar derradeiro de olhos, porque a vida não teria mais a quem desamar e ninguém, absolutamente ninguém havia amado a vida assim intensa, profunda, verdadeira e poeticamente como ele.

Fábio Roberto

domingo, 26 de junho de 2011

SÉRIE FRASES

Solidão mesmo é ter saudade de ter saudade.

Fábio Roberto

segunda-feira, 20 de junho de 2011

SÉRIE POEMAS

Rotina na Retina

A rotina não persegue a minha retina.
Faça o que eu faça igual todo dia, noite ou madrugada.

Quero a mesma mulher que amo.
O mesmo abraço dessa mulher é cada dia melhor.
Por ser mais forte é sempre diferente.
A paixão é cada vez mais e muito além quanto eu mergulho.

Quero sempre o mesmo bar que desesperadamente bebo.
Quero nele o mesmo copo, mesa, garçom, lugar.
Nada ali se repete em minha mente
A paisagem sempre muda frente aos meus olhos.

Quero os mesmos amigos de sempre,
de mesmo velhos papos que já escutei,
porque os ouço como se fora a primeira vez.
E os papo que ainda não soube serão impressionantes, já sei.

Quero o meu mesmo trabalho seja ele qual seja
e em qual momento e em qual escritório.
A mesma cadeira, o mesmo telefone e batalha.
O mesmo computador de teclado apagado digitando novas conquistas.

Quero o mesmo violão que toco há 40 anos, só trocando cordas.
Quero as minhas mesmas palavras, que as embaralho de outra forma.
Quero as minhas mesmas notas e melodias, que faço outro som.
Eu tenho tanto ainda para criar do mesmo sentimento...

Quero a mesma família em todas as vidas.
O mesmo pai, a mesma mãe, a deles sabedoria.
O mesmo filho, a mesma filha, o mesmo deles orgulho.
A mesma esposa, a mesma estória, começo e fim sempre inesperados.

Mesmo semelhantemente o meu cotidiano é sempre diferente.
Semelhante mente, a minha está repleta de aventuras.
A minha retina está muito louca pra enxergar uma rotina,
pra ter um pouco de paz e um sono pouco, só um pouco tranquilo.

Mas a rotina não persegue a minha retina
Faça o que eu faça igual todo dia, noite ou madrugada...

Fábio Roberto

quarta-feira, 23 de março de 2011

SÉRIE MÚSICAS

A REALIDADE


SOU UM HOMEM , SOU NADA
TEMPORAL QUE DESTRÓI
ORVALHO DA MADRUGADA

SOU PRISÃO E PÁSSARO QUE VOA
CONSCIENTE DO FUTURO
PASSEANDO À TOA

SOU VENTO E O TEMPO PARADO
A PALAVRA QUE CORTA
SILÊNCIO ABENÇOADO

O PARAÍSO, A PORTA DO INFERNO
SEMENTE NA TERRA
A PAZ QUE SOBROU DA GUERRA

ESPERANÇA E TUMULTO
DESESPERO DA CRIANÇA
ÊXTASE DO ADULTO

SOU PERIGO
E O BRAÇO DO AMIGO
A PONTA DA AGULHA,  FAGULHA

MEMÓRIA
OU FIM DA HISTÓRIA
SOU ISSO , SOU AQUILO

SOU, NA VERDADE,
APENAS UMA MENTIRA,
OU A REALIDADE QUE A VERDADE ATIRA

Fábio Roberto - musicado em 1995