segunda-feira, 2 de abril de 2012

SÉRIE POEMAS

Sem Perspectivas

Sem pressa, fardo ou tormento
Poça de cal, sentimento,
Fecha os olhos e entrega a chave
Prisioneira ave

Nu de palavras e medos
Pobre de sóis e segredos
Nem adormeça teu pesadelo
Solidão e gelo

Teus passos não sobram rastro
Um horizonte sem lastro
Siga o destino, vida canalha,
Hora da mortalha

Fábio Roberto

segunda-feira, 19 de março de 2012

SÉRIE MÚSICAS

CALIDOSCÓPIO
HAVIA UMA PROMESSA
ARQUITETANDO O ESPAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
O NÓ APERTA O LAÇO
QUERIA SAIR DESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
O NÓ APERTA O LAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
QUERIA SAIR DESSA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
HAVIA UMA PROMESSA
ARQUITETANDO O ESPAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
O NÓ APERTA O LAÇO
QUERIA SAIR DESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
REESCREVENDO A PEÇA
O NÓ APERTA O LAÇO
O FIM QUE NÃO COMEÇA
REDESENHANDO O TRAÇO
O FRIO ME ATRAVESSA
AUMENTA O MEU CANSAÇO
QUERIA SAIR DESSA
ACOMPANHANDO O PASSO
EU O ANDEI SEM PRESSA
SENTINDO O SEU ABRAÇO
HAVIA UMA PROMESSA
ARQUITETANDO O ESPAÇO...
(Fábio Roberto - musicada em 2007)
                              

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SÉRIE MÚSICAS

CHOVEU


Nada Pra dizer. Nada pra Sentir.
E eu não sei onde se esconde a madrugada
quando vem a luz.
Se é no meu coração cansado,
ou se em meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei onde se esconde a vida
que eu quero viver.
Se é no meu sonho fracassado,
ou se em meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei onde se esconde esse Deus
quando me vê assim.
Se é no meu corpo machucado,
ou se em meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei pra onde estão olhando
os olhos verdes daquela mulher.
Se para um momento do passado,
ou se ao meu violão calado.

Nada pra dizer. Nada pra sentir.
E eu não sei como me tragar à terra,
feito semente qualquer crescer,
transformar-me no verde dos olhos,
verdes olhos daquela mulher, olhar...

Fábio Roberto
(musicado por Titi Trujillo em 1982)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

SÉRIE TEXTOS

O ANO NOVO


O Ano Novo resolveu não nascer. De soslaio perscrutou o ambiente e resolveu continuar no casulo. Não gostou de nada do que viu. Pensou, que adianta chegar e tudo ser igual ou pior? Para que novamente tantas falsas promessas ou esperanças que seriam frustradas? Que ficasse tudo como estava, o Ano Velho se perpetuando coberto de insensatez, injustiças e maldades. Quem sabe a realidade se tornando tão cruelmente perene, pudesse em algum momento a vida sorver com a língua suas lágrimas.

E assim, decidido e irredutível, o Ano Novo fechou os olhos e adormeceu na manhã do último dia do Ano Velho. Este, ancião em frangalhos e com a alma carcomida pela dor, desesperou-se e gritou implorando descanso aos céus. Os Senhores do Tempo, subitamente surpreendidos pela inusitada ação do Ano Novo, convocaram uma reunião com todos os Anos Antigos, que estavam muito mais antigos, pois desde que o mundo se tornara mundo um se somava ao outro sem recesso, portanto o ano I era o Pai de Todos. O Pai de Todos os anos falou aos Senhores do Tempo que aquilo era inadmissível, um absurdo, uma afronta. Como aquele rebento que nem saíra ainda das entranhas da mãe eternidade se rebelava contra a lógica da existência? Exigiu uma providência enérgica falando em nome de todos os Anos Antigos e principalmente pelo Ano Velho atual, que tremia em espasmos desesperados, numa espécie de Parkinson aflorado pelo medo. Mas o que os Senhores do Tempo poderiam fazer? Não havia como obrigar o Ano Novo acordar se ele não quisesse. A situação foi piorando e ficando catastrófica, pois no planeta os preparativos para as festas da virada do ano prosseguiam despreocupadamente, até que o Ano Velho avisou que exatamente à meia-noite também adormeceria para o horizonte.

E assim aconteceu. Sob os olhos estupefatos dos Senhores do Tempo e defronte aos boquiabertos Anos Antigos, o Ano Velho deitou-se em nuvens ao lado do Ano Novo, apagando-se rapidamente. Silenciosos e num sono profundo, ambos passaram a sonhar o mesmo sonho: um tempo que merecesse ter continuidade. Ninguém ainda percebeu que desde aquele dia o ano não muda, não vai pra frente nem retorna. E os dois ainda estão lá, sonhando. Quem sabe desta vez, quem sabe desta vez o Ano Novo acorde...

(fábio roberto- dez2009)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SÉRIE MÚSICAS


IMAGINAR

Última noite que canto
Onde muito me ouviu
Onde sereno ou intranqüilo
Aprender aprendi

Sonoridade a verdade da minha emoção
Silenciosas paredes, olhares, ações

Se as paredes têm ouvidos
Souberam escutar
Mudas, pois assim quiseram,
Saberão calar

E os sons que nós fizemos
Por elas vão estar
Por tudo o que pudemos viver,
Imaginar,
Dizer,
Imaginar,
Morrer,
Imaginar,

Cantar.


Fábio Roberto
(Musicado por Titi Trujillo em 1985)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SÉRIE POEMAS

MIRAGEM

O tempo não foi complacente hoje
Nem pretendia. Nunca o será.

O tempo, sem pressa e rápido, me foge.

Descortinará
As pálpebras.

Álgebra
Somando o vazio
Com o psiu
Solitário na madrugada.

Lua estatelada
No céu
Escuro.

Véu
Que cobre o muro
Onde meu carro, imaginando não mais ser matéria,
Encontrará o impacto da realidade crua.

Pior teria sido cortar a artéria
Nua
Do pensamento, antes que a hora passasse
Sem que minha alma se costurasse
À tua.

A rua
Bebe insaciável o meu vinho
E me engole toda dor.

Vinho, derramado vinho. Adivinho
Qual a dor.

Sorrio ao tempo e lhe digo:
Tu e eu somos eternos,
Caro amigo.

O tempo me abraça forte e terno
E desaparecemos dos nossos olhos feito miragem.
Fumaça, névoa, neblina que o vento dispersou na paisagem.

Fábio Roberto

domingo, 30 de outubro de 2011

SÉRIE POEMAS

LÁGRI-MAR

QUERIA SER O MAR
SEMPRE LÁ E SEMPRE EM OUTRO LUGAR
ÁGUAS SEMPRE RENOVADAS IRRIGANDO A TERRA
ÁGUAS QUE REFRESCAM CARINHOSAMENTE CORPOS A SALGAR
OU
QUE DESTROEM VIOLENTAMENTE A CIDADE QUE INDEFESA BERRA

QUERIA SER O MAR
SEMPRE LÁ E SEMPRE EM OUTRO LUGAR
MAS SOU FOGO DE QUEIMAR QUIMERAS
OU
LABAREDA DE ACENDER AS FERAS
SOU FOGO DE AGUARDENTE , UM JOGO A  SE JOGAR

QUANDO CANSADO, O FOGO REFLETIDO EM MEUS FARÓIS
 VER-SE-Á DEITANDO COM O LUAR PELOS QUINTAIS
CANTAREI SUSSURANDO, A ÚLTIMA CHAMA, LIVRE DOS ANZÓIS:
“BEIRA-MAR É UM BOM LUGAR, OLHOS VÃO NÃO VOLTAM MAIS...”

TEREI SIDO FOGO E FINALMENTE... MAR.


Fábio Roberto

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SÉRIE SEI LÁ

Kardecista de Araque

Sou um kardecista no coração, um ateu na cabeça e um homem-bomba nas atitudes. Porque eu tenho uma mediunidade insuportável. Não posso olhar profundamente o olhar das pessoas, nem de um cão-pessoa. Maldito este dom. Um Inferno este poder. Eu coloco os óculos escuros de manhã, de tarde, de noite, de madrugada e não adianta. Eu vejo. Passado e presente. Acordado, dormindo ou sonhando, se eu olhar eu vejo. Isso basta para vislumbrar o daqui a pouco. Mesmo que um dia eu me torne cego eu já vi, eu vi os olhares, eu entrei dentro deles, eu senti cada riso, desespero, esperança, temor. Eu guardarei em mim, eu vi, eu vejo e não queria saber o que sente cada alma. Eu acabo escrevendo, compondo, descrevendo, vendo...

Olhei, sem desviar, os olhos de um cego e eles, com luz e ao mesmo tempo apagados, eram farol procurando o horizonte e eram farol guiando a escuridão. Que agonia olhar os olhos desse cego.

Olhei os meus olhos no espelho agora.  Rapidamente. Não tive coragem de olhar por mais de alguns segundos. Só os percebi marejarem ondas de alegria. Que medo. Que medo de olhar profundamente nos olhos de alguém. Até de olhar os meus olhos eu tenho medo. Kardecista de Araque!

Fábio Roberto (de olhos fechados)

sábado, 1 de outubro de 2011

SÉRIE TARDES

TARDE NO CEMITÉRIO

Para um coveiro os mortos são os ossos do ofício.

Claro que a tv do coveiro tem fantasmas.

Um coveiro realmente tem que ter presença de espírito.

Para o dono do cemitério um cadáver no caixão vale mais do que dois no necrotério.

Vegetariano pode virar presunto?

Para o defunto tudo são flores.

Existe atitude mais extremista do que dar a extrema unção?

Brancos, negros ou amarelos quando morrem viram cinzas.

Morrer deve sem bom, porque as caveiras nunca deixam de sorrir.

Sempre tem um vivo de olho em uma viúva rica.

Pode fofocar agora porque um dia sua boca será um túmulo.

Nesta sociedade o homem só deixa de ser um cpf quando passa a ser uma lápide.

Epitáfio de viciado: do pó ao pó.

Epitáfio de convencido: meus pêsames para todos vocês.

Epitáfio de indigente: terra à vista!

Os vermes não tem preconceito: não fazem distinção de raça, credo, posição social ou beleza; E a humanidade não consegue...

Para a mulher viuvez é o contrário de gravidez: dói quando o parceiro morre, mas nove meses depois volta com tudo a ativa.

Ironia mesmo é um bombeiro ser cremado.

Ser dono de funerária. Isso é que é apostar no futuro

Quem conta piada em velório acha que existe tumor benigno.

O ateu revirou na tumba quando rezaram uma missa de sétimo dia para ele...

Toda música ruim e de mau gosto é fúnebre.

Fábio Roberto

SÉRIE MÚSICAS

TEATRO


Passando pela vida,
pela curva de qualquer esquina perdida,
o horizonte não se enquadra nos olhos.

Tudo é nuvem espessa, longo caminho.
E todo dia a cortina se levanta.
A história se faz linda, violenta.
O destino improvisa o momento,
deslocado no tempo e no espaço sombrio.
Dramas e comédias de um roteiro
que ninguém escreveu.

Passando por aí,
pela curva de qualquer esquina perdida,
a vida não se enquadra nos olhos
de quem a vê.



              Fábio Roberto (musicado em 1991)

domingo, 25 de setembro de 2011

SÉRIE TEXTOS

ÓCULOS ESCUROS


Vim com somente meus dois olhos claros cor de mel e alguma fotofobia para a claridade mundana deste planeta.
Hoje eu os tenho junto com apenas meus tênis furados, de quem tanto gosto.
Assim como amei todos os anteriores, que foram se desgastando aos poucos por tanto uso. A gente não consegue viver sem nossos tênis companheiros e insiste, insiste em tê-los até quando furam, rasgam, se desintegram...
Então a gente sofre mas os abandona e adquire novos tênis que ficarão velhos também.

Será que amar é assim?
Feito um par de tênis que se ajusta aos nossos pés e depois se desintegra?

O amor vai se moldando ao nosso corpo inteiro, invade, domina, toma tudo.
Fica gostoso, aconchegante, perfeito. Torna-se uma extensão de nós, nos completa.
Não se imagina a vida sem ele. Ele passa do sangue para a alma.
Passamos a ser um só. Corpo, pés, alma, sorriso, lágrimas. Amar é compartilhar tudo.
Tal qual com o nosso velho par de tênis, não damos mais um passo sem ele.
Até que o amor nos enxerga como a um sapato velho e rasgado e nos deixa num canto sem pés, sem amor, vazios.

Será que a vida é assim?
Feito um par de tênis e o amor que se moldam a nós e depois se desintegram?

Nosso corpo vai se adaptando a cada fase do tempo, enquanto desenvolvemos o intelecto, a sensibilidade e todas as variáveis que compõe um ser humano. Aprendemos a valorizar cada respirar e nossas conquistas, até os tênis e os amores. Crescemos com nossas famílias, realizamos sonhos e continuamos desejando realizar todos os sonhos impossíveis. Até que o esqueleto reclama a sua idade. Mas como não se troca esqueletos, a alma busca novos ossos, pois que os velhos se desintegraram.

Vim com meus olhos cor de mel e tudo foi ficando mais claro, a ponto da minha fotofobia se tornar tão intensa que os olhos do meu coração estão se fechando.
Nunca mais vou usar tênis.
Nem vou amar novamente.
Tampouco terei outra vida.
Não há mais óculos que escureçam tudo o que vejo, sei e sinto claramente.

Fábio Roberto

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

ADVERSOS

Escreve numa porta de banheiro
O poeta, versos pra sua amada
Sim, pois o poeta é por inteiro
Mesmo com seu riso na privada

Escreve o poeta em cemitério
Versos tão festivos pra sua amada
Ele não teria o rosto sério
Mesmo se a paixão fosse enterrada

Escreve o poeta em uma cova
Sim, são versos pra sua amada
Cabelos do esqueleto ele escova
Feliz, mesmo já sendo alma penada

Escreve pra sua amada até no inferno
Versos com a palavra amaldiçoada
Pra alguns soa romântico e pós-moderno
Mas os nenhuns recebem como bofetada

Segue o poeta rindo ao paraíso
Vendo o amor em face bela e iluminada
Tantos versos feitos de improviso
Só importavam mesmo a sua amada!

Fábio Roberto

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

CELEIRO
Pouco de mim resta-me inteiro.
Colo-me aos pedaços de minhas sobras.
Sem gabaritos, linhas, elos, dobras,
reconstruo-me com esmero de engenheiro.

Em cada parte no revés do chão jazia,
mas fui-me recolhendo da poeira.
Faxinei-me até toda a sujeira
da frustração, sobrar-se íntima e vazia.

Nada mais existo além de vida.
Meus olhos os que fitam-me primeiro,
diamantes garimpados na jazida,

aprovam-me no espelho do meu rosto.
Minh’alma recupera-me em seu posto.
Retorno-me discreto ao meu celeiro.

                       Fábio Roberto

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS

MIJO E PAIXÃO

Houve o tempo de belo regozijo
Quando então aproveitamos o ensejo
De executarmos um humilde mijo
Reconfortante, denso e benfazejo

Ah, o mijo quente que nos abandona
Deixando o frio veículo em mãos
Um pênis murcho que perdeu a dona
Do liquido filtrado pelos rins irmãos

Mas existe festa onde houver bexiga
Aliviada de excretos eliminados
Tal qual uma criança com lombriga

De estômago e olhos saciados
Privada ungida pela urina amiga
Descarga de uréteres apaixonados

                    Fábio Roberto

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SÉRIE MÚSICAS


METADE


SE NÃO POSSO ESTAR NUM LUGAR,
PELA MÚSICA EU ESTOU LÁ
PELA VONTADE DE ESTAR,
PELA SAUDADE.

SE NÃO POSSO FICAR NO LUGAR
PELA MÚSICA EU FICO LÁ.
PELA REALIDADE DE ESTAR
PELA METADE.

 Fábio Roberto
   (Musicado em 1981)

                                 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SÉRIE POEMAS


C asa


e eu pensando em nós dois numa casa

e eu pensando em nós dois

numa casa

pensando

nós dois

casa

nós

nó

2                                                        asas

nó

nós

casa

nós dois

pensando

numa casa

e nós pensando em nós dois

e nós pensando em nós dois numa casa

                                                 Fábio Roberto

sábado, 16 de julho de 2011

SÉRIE POEMAS

AMAR

Eu penso que amar é para fracos
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram táboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.

É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meu olhos a cor:

a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.

Devorando-a inteira e lentamente.

Fábio Roberto

quarta-feira, 13 de julho de 2011

SÉRIE MÚSICAS

CÉU E INFERNO

O amor quando céu o amor busca ser.
O amor busca o seu prazer,
Viver.

Mas o amor, quando não, quando nem mais talvez,
É o inferno de não ser mais,
Morrer.

E não olha pra trás, pois tem medo da dor.
Ou tem medo até de não sentir a dor
E de não esquecer
Tal amor que, finito,
Durou só o tempo de ser
Tão bonito...
  
   Fábio Roberto
(musicado em 2007)

terça-feira, 5 de julho de 2011

SÉRIE POEMAS

OLHA MARILI

Olha menina, eu bem te queria
Fazer  uma presa da fotografia
Paisagem rebelde, se esconde,  se mexe,
Fugindo da cena,  das luzes do flash

Mas  não te entendo,  inteira beleza
Refletes no espelho, a  vida em pureza
Saiba menina,  o sonho te espera
Para a primavera vestir teu olhar

Meiga e selvagem, humilde e ousada
Pulsando energia sã, delicada
Arde menina, eu te vejo nua
Como fosses lua beijando a maré

Não tens moldura, retrato fugindo
Deixando alegria, brilhando, se abrindo
E vais declamando poemas assim
Como fosses rio que nunca tem fim

Sobrevoando palavras, menina,
O tempo é um dia que não terminou
Foge menina, teu sonho te espera
Não há uma quimera onde se perder

Anda Menina, pois eu só teria
A minha poesia pra te oferecer
Corra Menina, da minha agonia
Da fotografia que quer te prender...

Fábio Roberto - para Marili Gabriel