domingo, 25 de fevereiro de 2018

Amor, Paixão e Tesão:

Quando é amor é medido pela dor da saudade e intensidade do reencontro.
Quando é paixão é medido pela dor da saudade, intensidade do reencontro e quantidade de orgasmos.

Quando é só tesão não dá tempo de medir nada. É sexo e sacanagem o tempo todo.
Quando é amor, paixão e tesão ao mesmo tempo, você está sonhando!

Faroberto
Do Livro das Frases, Questões e Trocadilhos

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

RAP DO CAPITALISTA (2012)

Grife, grana e de gravata é um tolo, chauvinista
O que fala é só bravata, fingindo de idealista
Vive de golpe e mamata, posando de moralista
Dotado de quatro patas, envergonha darwinista
Eu na vida autodidata, você um ilusionista
Siga sendo uma errata, eu prossigo um anarquista
A postura burocrata te fará ser congressista?
Manda aí tuas cascatas, não passa de um vigarista
Vestido de diplomata na corrida armamentista
Postura pobre e primata, nem te salva um exorcista
O teu corpo é uma sucata, me xinga de comunista?
Viva com merda e baratas, otário, capitalista!

Fábio Roberto
Pra II Mostra Artística da Turma Braba

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A PRESENÇA DA MULHER

A presença da tua mulher não está no perfume que ela usa, mas no aroma que ela deixa. Não está na palavra que ela diz, mas no olhar trocado que tudo entende. Está na mão que acaricia a tua pele à distância. Está no beijo de anteontem que continua na tua boca até agora. Está no abraço que é sentido em cada momento de carência, aquele onde o frio da solidão te ataca feito uma faca no estômago.
A presença da tua mulher está na inexistência da dúvida. Ela demonstra o amor de forma tão clara que seria estúpido não crer. Está na forma dela andar ao teu lado. No mesmo ritmo, no mesmo compasso. Está no jeito que ela te olha quando está com os amigos dela. Se ela te olha admirada, se ela tem orgulho da sua companhia, ela está inteira com você. Se ela fala de você tão naturalmente na tua presença, que parece que te conhece há vidas, ela te ama de verdade.
A presença da tua mulher é real quando ela não te esconde de nada. Por que os outros, quem são os outros para ela? A tua mulher está presente quando não sai do teu pensamento nem o balançar dos cabelos dela. Nem a forma como ela se despe pra você. Ou a expressão de êxtase que ela faz quando você a explora com mão de moleque ou a invade com a paixão mais enlouquecida.
Está no sono que ela tem depois de te amar intensamente. Se ela adormece linda, totalmente nua e tranquila, ela confia, ela está com você.
A tua mulher está presente quando a ausência dela é tão doída, que você prefere ter qualquer dor a não tê-la perto. Certamente essa mulher te deu um presente inesquecível: um amor pra sempre.
Pra sempre será pouco tempo na presença dessa mulher.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ZUMBIDO (texto para o clipe)

O Zumbido que me enlouquece é a voz da solidão que sinto neste planeta desconhecido. Dói na alma a angústia de viver aqui, sem poder melhorar os destinos, impotente frente à realidade cruel que não se transforma.
A beleza do que admiro em cada paisagem da natureza ou gesto caridoso de humanidade, não torna existir mais suportável. Pouco há que suavize esta provação.
As palavras e as melodias que recebo tornam-se a esquizofrenia de um ser atormentado, que tenta escapar por instantes da prisão cantando a agonia ao universo.
Vez ou outra uma Musa surge inspirando obras que descrevem amor e paixão, emocionando o infinito. Mas isso dura o tempo de um sonho, como se fosse um relâmpago no céu da eternidade.
O que resta ao acordar é o vazio e buscar novamente algo que me complete, provoque, envolva, motive, entorpeça, anestesie, drogue, inspire, apaixone...
Não sei se eu sou Um Açoite ou Uma Espada. Talvez eu seja Um Grito Pichado No Muro. Um Zumbido. Que Zumbe e Zumbe e Zumbe...
Fábio Roberto

BEIJO DA MADRUGADA

  

Por que tu me beijaste eu não sei.
Será por que tu me notaste triste?
Será por que o meu coração ouviste
descompassado, amargo, fora da lei?

Não sustentei olhar teus olhos refulgentes,
sorrindo pro meu rosto de indigente.
Só admirei os teus bailados deslumbrantes,
a desfilar-me paixão louca e vibrante.

Por que tu me beijaste, madrugada,
se cedo tu fugias pro teu dono
e o dia preparava outra cilada?

Restou-me a luz pungente do abandono,
minha poesia estéril ou calada,
se a lua adormeceu eterno sono.

Fábio Roberto



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

MIJO E PAIXÃO

Houve o tempo de belo regozijo
Quando então aproveitamos o ensejo
De executarmos um humilde mijo
Reconfortante, denso e benfazejo
Ah, o mijo quente que nos abandona
Deixando o frio veículo em mãos
Um pênis murcho que perdeu a dona
Do liquido filtrado pelos rins irmãos
Mas existe festa onde houver bexiga
Aliviada de excretos eliminados
Tal qual uma criança com lombriga
De estômago e olhos saciados
Privada ungida pela urina amiga
Descarga de ureteres apaixonados
Fábio Roberto

sábado, 27 de janeiro de 2018

O SOL DAS FALÉSIAS DE PIPA

Cada um tem o sol que merece.
Tem sol de gente que só faz prece.
Tem tênue sol, longe, apagado.
Sol vermelho pra quem tem pecado.
Tem sol que queima feito uma paixão.
O do amor que foi, sombras, ilusão.
Sol que alimenta e aquece.
Ou te derrete, seca, fenece.
Tem sol tímido, das nuvens atrás.
Tem sol vibrante, pra trazer a paz
O sol com chuva, confusão no céu.
Sol de criança, bola no papel.
Sol do deserto mata, dói, peste...
No inverno, que se manifeste
Acordam todos no lado leste
Poentes, dormirão no oeste.
Diferente o sol das Falésias.
Arde sem arder, brilha sem queimar
Ninguém o conhece, amnésias...
Nasce nas pedras pra morrer no mar.

Fábio Roberto


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ABORTO

Sou saudade e ainda não morri,
porque esta é uma verdade
que ainda não vivi.
Nada sinto.
Nada digo.
Nada além de nada.
Uma espera.
Uma esperança.
Uma vida perdida à dor de nascer.

Fábio Roberto


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

JARDIM SOMBRIO

Essas flores
em meu corpo
a despetalar,
doce aroma
em podres narizes
irão exalar.
Corpo murcho.
Flores tão belas
para enfeitar...

Fábio Roberto


domingo, 21 de janeiro de 2018

ROGATÓRIA

Eu não sei como termina a história,
quem foi que leu?
Onde o poeta o último verso
não escreveu?
Qual distraído coração perverso
entardeceu?
Quem o destino foi luto? Quem glória?
Quem escolheu?

Quem saberá o começo da história,
como se deu?
Como se amaram se eram o inverso,
quem percebeu?
Como deixaram o amor submerso,
quem o perdeu?
Qual o final? Faço uma rogatória:
qual que morreu?

Fábio Roberto
(2007 música perdida)



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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A LIBERDADE E O FOGO


Voar, o céu é sempre diferente.
Liberdade voa, atoamente,
pelo prazer sincero, flutuar.

Voar, o movimento imprevisível
do vento, vôo impossível
pra quem ao chão, estático, se habituar.

Sobrevoando a vida inconstante,
mutável o futuro ao respirar.
O equilíbrio soa atordoante,
para o desejo intenso a inspirar.


Havia um fogo denso e impressionante
queimando e retirando todo o ar,
fazendo o vôo do horizonte ali pousar.

O fogo abrasador também passeia
e o seu calor aos poucos encadeia,
aquece a liberdade pra que ela encante...

sobrevoando a vida inconstante,
mutável o futuro a se domar.
O equilíbrio soa atordoante,
para o desejo intenso de se amar.



Fábio Roberto

(2008-Melodia perdida)

domingo, 14 de janeiro de 2018

VÍRGULAS

Uma sensação de impotência
mãos vazias
grãos de areia que delas escaparam
deixando tudo áspero

pele
sentimento
paisagem
Queria acelerar os passos
mudar a história
enquadrar o destino
mas não coloquei uma vírgula no texto
Talvez por preferir a vida sem pausas
rupturas nas orações
separações em cada frase escrita
onde cada sentença uma cabeça
Queria sentenças sem dúvidas ou inflexões
que direcionassem ou ajudassem
a interpretação e o canto da minha poesia
Seria como não piscar os olhos
vendo o futuro
vivendo apenas
assim sem retorno parada ou vírgulas

Fábio Roberto


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

ORGULHOSO

Quando a minha boca livre atingiu violentamente aquela bota suja quebrando cinco dos meus dentes e fazendo a minha exploradora língua degustar o sabor salgado do meu próprio sangue, eu já estava bastante machucado. Era muita gente ou coisa batendo em mim. Eu já não tinha os olhos abertos, pois feito os de um lutador de boxe que apanhou por quinze rounds, eles eram uma massa roxa intumescida, apodrecida e fechada para a vergonha estampada em qualquer espelho.
O golpe que eu recebi no fígado que aguentou centenas de litros de cerveja e whisky por tantos anos, finalmente abalou-me e a pancada covarde que detonou a minha coluna cervical a ponto de dobrá-la feito um coqueiro em tempestade tropical, me fez cair entontecido pela vigésima vez. Mas os socos e chutes derradeiros não aconteceram para que eu pudesse descansar a consciência.
Aí meu irmão, eu fiz a estupidez de me levantar, cuspir a minha bílis, urrar como um Hulk de Biafra e desafiar quem me agredia com toda a raiva estúpida que eu podia. Tomei tanta porrada que virei do avesso. O líquido viscoso avermelhado jorrou do meu nariz que ao mesmo tempo procurou algum aroma ou ar antes que eu me acreditasse despedaçado.
Então eu todo quebrado prometi me erguer toda vez que eu fosse derrubado. Eu continha tanto ódio que amava o meu oponente mais do que me amava. Não me importava o revés do corpo e minha alma até aquele instante só tinha band-aids e merthiolate, tanto que eu desprezava qualquer lancinante dor.
Eu pedi que esfacelassem com um tiro a minha cabeça louca, a minha cabeça louca rogava uma bala que atravessasse os pensamentos bons e vis de quem não aguenta mais a espera para ser feliz. Mesmo banguela eu sabia que receberia o prêmio Nobel da guerra das mãos de Mandela.
Queria eu abrir os braços e receber no ventre um sopro suave que me fizesse lentamente vergar o orgulho e admitir a minha vitória eterna perante a vida. Era talvez triste e difícil constatar assim tão costurado, remendado, estropiado e destruído, que venci.
Fábio Roberto
Do Livro de Textos e Crônicas


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Do Livro dos Destinos: VIDRO

Quem tem telhado de vidro tem cabeça oca.
Quem tem cabeça oca não tem sangue nas veias.
Quem não tem sangue nas veias tem coração vazio.
Quem tem coração vazio não tem sentimentos.
Quem não tem sentimentos não ama.
Quem não ama tem uma vida sem graça.
Quem tem vida sem graça não tem sorriso.
Quem não tem sorriso não tem dente.
Quem não tem dente e tem bom humor é porque não tem telhado de vidro.
Fábio Roberto


domingo, 10 de dezembro de 2017

O SUCO

A música é o suco da arte
Palavras do Fontanetti
Fecha-se claquete
Montam-se cada parte
Do filme que vislumbrei
Som puro e benfazejo
Que no meu violão calejo
A vida em que me sobrei
O líquido percorre
Cada gesto, cada imagem
Cada estrofe e compasso
Preenchendo todo espaço
Mergulhando esta viagem
O meu sentimento escorre

Fábio Roberto
2012


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

FOGO-FÁTUO

Ao Amor
quem não faz justiça
vira carniça.

Faroberto

BRANCO

dos olhos
do tecido
da nuvem
do sal
da parede
da neve
do carro
do leite
do cão
da pele
do açúcar
da flor
da tinta
da tela
da bandeira
da pomba
do lençol
da fumaça
da vela
da areia
do gozo
do urso
da farinha
da luz
do papel.
Branco
me deu
na cabeça.
Fábio Roberto


imagem wallpapers

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

MADRUGADA

neste instante só consigo escrever escrever escrever escrever. o violão me olha. para ele isso é um replay. faz tststststststs............ sorri em solmaior.
tão claro que fecho os olhos. respiro. dou um gole em algo que está no copo.
é forte. parei de fumar há anos, mas dou uma profunda tragada na fumaça que ainda corre dentro de mim. tusso muito.
bate o coração bate... bate...
s u a v e m e n t e.
e para. silencio. o violão de novo... tststststststs.... os cães latem indignados. abro os olhos. o coração volta de seu cansaço. bate..... bate..... e vai ritmando. cadencia. bate
l o u c a m e n t e
mas acalma repentinamente porque
o som de uma corda rompendo toma o ambiente.
nem mais tststststs sai do violão.
nem sorriso em solmaior.
nem olhar.
nem claridade.
o silêncio se assusta porque nada escuta. pego o violão e faço....... tstststststs....
e toco assim mesmo... faltando uma corda.

Fábio Roberto

domingo, 3 de dezembro de 2017

ESPELHO

Eu sou de paz. Até que pisem no meu calo.
Calo? Nunca. Até amordaçado o que eu sinto falo.
Falo? Sempre pronto, duro, ereto e disposto a gozar.
Gozar? Basta olhar para algumas idiotas caras.
Caras? Eu pago o preço e acendo a minha chama.
Chama? Chamo quem eu quiser, mas que alegria traga.
Traga? Aspiro e engulo esta fumaça e as cinzas.
Cinza? Não vejo a cor do horizonte, ele que me fita.
Fita? Já não é preciso prender meus cabelos.
Belos? Somente teus espelhos, você em meus olhos...

Fábio Roberto
imagem wahooart

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

NÃO TENHO TEMPO


Estão todos dormindo
Mesmo quando despertos
Ou pelo menos fingindo
Que estão vivos e espertos
Dizem que o tempo é implacável
Que falta mais que dinheiro
Desculpinha insustentável
Na boca de loroteiro
Fábio Roberto
Foto spiderpic