domingo, 11 de junho de 2023
sábado, 10 de junho de 2023
domingo, 21 de maio de 2023
sexta-feira, 12 de maio de 2023
A TECLA FF
Continuando o desenvolvimento frenético da ciência, com inteligência artificial, androides e mundos virtuais sendo devidamente controlados pelos seres humanos, as viagens no tempo estarão cada vez mais próximas de acontecerem.
Com isso, um dos meus sonhos se tornará realidade, apesar de que já deve ter sido previsto em livros, filmes e séries. Imagine, em um simples toque numa tecla, a FF, que significará Fabio in the Future, assim batizada em homenagem a quem inventará o aparelho, avançaremos pela vida de acordo com a nossa vontade, para evitarmos desagradáveis momentos específicos, que sem isso teríamos que passar.
Exemplo: hoje você vai numa consulta no dentista, fato que já é uma tortura. Se você concretizar o tratamento, o martírio se realiza com os instrumentos mais modernos criados para causar dor e justificados que são necessários para a sua cura. Mas, nesse futuro, utilizaremos a tecla FF, pulando do diagnóstico diretamente para logo depois do pós operatório, acordando totalmente saudáveis e prontos para desfrutar a existência.
Entretanto, como tudo na ciência, o inventor terá que resolver um sério problema. Usando a tecla FF para escapar dos dissabores, tudo aquilo de bom que viveríamos naquele hiato temporal, também estaria suprimido: nascimentos, paixões, festas, vitórias, sucessos, luas de mel, sorrisos...
Para quem tem uma vida pacata, chata e sem graça, essa situação talvez até venha a ser compensadora, mas para quem tem uma vida dinâmica, surpreendente e aventurosa, não é uma situação atrativa, pois valoriza e aprende com cada passagem alegre ou triste.
Cheguei a esta conclusão pensando ontem durante a meia hora em que fiquei na recepção do dentista porque chego cedo, ansioso que sou, e resolvi não fugir. Encarei corajosamente a cirurgia marcada e cá estou, no pós operatório, tentando beber menos, controlar a compulsividade crônica por tudo, esquecer a hiperatividade diária porque não devo fazer atividades físicas mais fortes e sem poder comer alimentos essenciais para qualquer pessoa normal, como queijo parmesão, picanha, batatinha crocante, pipoca, azeitona, torresmo, pizza, bacon e amendoim, entre outras iguarias.
O desconforto é ocasional, eu sei. Que este presente vire passado logo, pois se no futuro breve eu ficar acomodado e me chamarem de velhinho, vou ficar muito puto!
quinta-feira, 11 de maio de 2023
PÉ NA BUNDA OU NA BOCA
As pessoas reclamam quando levam um pé na bunda, mas pé na bunda é suave, amortecido, quase delicado. Duro mesmo é pé na boca. Aí sim é violência. Dentes se espalham, sangue jorra e suja de nossas roupas até as nossas almas. Quando alguém leva um pé na bunda o seu coração palpita acelerado, mas entristecido, fraco, lúgubre. Já quando o pé é na boca o seu coração paralisa, é vácuo naquele instante, mas a adrenalina te faz reagir porque vem a raiva, a vontade de vingança, de dar a porrada de retorno e o sangue que escorreu nos cantos dos lábios é sorvido como néctar estimulante pela língua machucada. O pé na bunda é silêncio, mas na boca é grito. Eu nunca levei pé na bunda, porque sempre o senti como pé na boca. Na bunda é pra quem oferece a outra face. Na boca é pra quem oferece a outra foice.
Fábio
Roberto
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
sábado, 18 de fevereiro de 2023
sábado, 4 de fevereiro de 2023
O CORTE
O CORTE
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
A DOR DO ALÍVIO
Uma das mais disseminadas teorias Fabiais é “A Dor do Alívio”, sensação que surge entre o susto do medo e a alegria do alívio ao escapar de uma perigosa situação, seja ela real ou imaginária. Durante esse processo que pode durar vários segundos, acontece a Dor do Alívio, que precede o alívio propriamente dito, com a força e o poder de um raio penetrando a terra. É uma inexplicável e inevitável sensibilidade que nos percorre desde a alma se distribuindo pelo corpo. Inicia comumente nas unhas dos dedões dos pés, alcançando até os fios dos cabelos que ficam eriçados, bem como todos os pelos do esqueleto vestido de carne. Essa dor sem linimento provoca terrível frio na barriga, arrepio da pele, os olhos esbugalhados de pavor que então lacrimejam cataratas, sudorese acentuada, atividade cardíaca acelerada, paralisação de movimentos, interrupção do raciocínio, contração dos ossos como se eles estivessem sendo esmagados em uma prensa, o sangue alternando temperaturas entre a mais gélida de um iceberg até a mais fervente de um centro de vulcão em erupção, tudo isso culminando com respiração ofegante até o sufocamento. O ser que sofre a Dor do Alívio tem a mesma angústia de um moribundo antes dele dar o último suspiro. Em casos extremos essa dor causa involuntárias diarréias em algumas pessoas mais covardes. Outras acabam se urinando como se fossem bebês. A maioria chora copiosamente de forma descontrolada por muito tempo. E invariavelmente, na iminência de ocorrer o pleno alívio, a pessoa percebe que superou o tormento ou ele nem era tão danoso assim. Mas o desenvolvimento inexorável da Dor do Alíviojá aconteceu.
Segundo Lacan “o homem
sofre por não compreender o medo, entrando em estado de pânico que se
transforma em neurose e esta em histeria, fazendo o corpo adoecer, mesmo que na
realidade esteja saudável.” Para esse estudioso,“na neurose obsessiva não se controla
mais os pensamentos, os objetos adquirem significações diversas e geram medo.”
Para Freud “a angústia vive latente em relação à consciência. Esse sentimento
estaria vinculado a uma descarga manifestada através do distúrbio de uma ou
mais funções corporais.” E como tudo, para Freud, “o mecanismo presente nas
neuroses está associado a uma deflexão da excitação sexual somática da esfera
psíquica e ao emprego anormal dessa excitação. A neurose seria então produto de
todos os fatores que impedem a excitação sexual somática de ser psiquicamente
elaborada.” É necessário transar muito e sempre, eu concluo e tento fazer a
minha parte com afinco.
Estudando esses autores
podemos entender o medo que os homens têm da famosa brochada, algo que jamais
confessam que lhes ocorreu, nem mesmo aos melhores amigos. No meu caso,
felizmente e de verdade, nunca tive tal problema, tendo-o ao contrário, mas
totalmente controlado. Brochada nunca fez parte da minha lista de medos, mas
abstinência sexual sim e constantemente me preocupa. Segue abaixo, sem temor ou
qualquer pudor, a minha lista de medos em ordem de importância aleatória:
- Não conseguir fazer
sexo devido à eventual idade provecta (desejo de morrer antes do fato) ou
desprezo de todas as mulheres do mundo (sintoma de timidez aguda)
- Cortar cabelo (paúra de
que eles nunca mais cresçam e de ficar careca de forma natural ou por doença).
- Dentista/dor de dente
(recomendo leitura do meu conto “Anti-dentistas”).
- Cebola, alho, pimenta e outros condimentos
utilizados de forma indiscriminada nos alimentos como tempero (terror ligado ao
meu paladar apurado e bom gosto incomparável).
- Calor insuportável (clima
de deserto do Saara, sertão nordestino ou Cuiabá me causam pânico).
- Perder a inspiração (pavor
de nunca mais escrever uma linha poética ou melódica, totalmente ligado ao medo
de não mais ter Musas).
- Invasão de pernilongos
e assemelhados (leia o capítulo “Aventura em Trindade” constante na segunda
parte da Fabiografia).
- Ter que ficar quieto e
parado em um lugar sem poder andar pra lá e pra cá, não poder quando sentado
ficar balançando as pernas, nem meditar em movimento ou em caminhadas a esmo
(síndrome da petrificação).
- Não poder mais beber
(horror associado ao possível desaparecimento ou proibição do álcool no mundo,
principalmente cervejas).
- Ter medo (ligado ao
fato de me considerar um super-herói desde a infância).
terça-feira, 3 de janeiro de 2023
A FACE
Chegou o novo ano, onde tudo mudou pra igual a antes,
mesmo a esperança de que tudo mude pra melhor
depois,
e no caso de não existir mudança, haverá uma face
com esperança.
Tanto faz se permanecer mudo o tempo da mudança,
pois a dança irá fluir e instigar a andança
até de quem cansou da esperança, da mudança e da
dança.
Eu não mudo, fico mudo e mudo a mudança,
porque pra mim não sei se há esperança
ou só uma dança de gestos confrontando o espaço
e o tempo, do fim ou do começo da andança
ao futuro, a um novo ano e à mudança
na face da esperança, para o sorriso que lhe
alcança
e descansa.
Fábio Roberto (03/01/23)
domingo, 11 de dezembro de 2022
VINTE DIAS EM UM
Escrevo estas palavras porque o ano acabou.
Sim, eu sei que ainda é
dia onze,
mas se eu disse que minha
ansiedade me precede,
o que era doce, salgado,
azedo, amargo ou sem sabor,
tudo acabou.
Não, não estou fazendo
drama, é apenas a vida sendo a vida
e eu sendo o de sempre,
pois se o coração bate canções
e a cabeça passeia em
poemas distraída do mundo,
saboreando momentos
que ainda nem conhecemos,
é porque temos que viver Vinte
Dias Em Um,
Somos Um, Somos Um e
tantos existem em nós,
até estes muitos nós.
Não é fácil sermos
intensos nessa medida,
mas quem mandou deixarmos
os olhares se encontrarem
de um jeito que torna o
tempo sem sentido,
a menos que possamos colar
corpos, almas e sonhos,
respirando desejos
escandalosos,
indecentes para quem não
sabe como é bom,
o néctar que fluímos,
exalamos e compartilhamos
com o sangue fervendo paixão
que não dorme,
não amaina, não tem pausa
nem descanso jamais?
Ouça, os fogos espocaram
no céu,
as champanhes transbordaram
dos copos,
os brindes sinceros ou
falsos foram feitos
e os normais já confraternizaram
suas esperanças.
Este ano finalmente
acabou e agora você pode voltar
para mais Vinte Dias em Um,
Sermos Um.
Fábio Roberto
11/12/22
domingo, 6 de novembro de 2022
FABIOGRAFIA PARTE 9 - CAPÍTULO 115 - O ATROPELADO
Era meio da década de setenta e eu estudava
no Arquidiocesano, aquele colégio de padres diabólicos e irmãos maristas que de
irmãos não tinham nada, só se fossem manos de Satã. Em uma manhã ensolarada eu
saí da escola e fui atravessar a Avenida Jabaquara. Olhei para o lado do fluxo
de veículos e estava livre. Distraidamente não olhei para o outro sentido,
mesmo porque nada deveria vir por ali. Mas veio. Subitamente fui surpreendido
por um táxi Volkswagen que dava ré para alcançar um passageiro e parou
exatamente em cima dos meus dois pés. Aqueles pés preciosos de tantas aventuras
perambulatórias pelo mundo e famosos por centenas de gols, passes milimétricos,
dribles desconcertantes e jogadas mirabolantes realizadas nos campos e quadras
de futebol do Brasil para deleite das minhas fãs e ódio das torcidas dos
adversários. Por sorte o possante acabou atingindo apenas as pontinhas dos
calçados onde havia pouca folga, mas suficiente para me prender colado ao carro
de olhos esbugalhados e com a expressão assustada na face, achando que não
estava sentindo dor porque meus pés teriam sido desprendidos do corpo. Foram
alguns segundos de pânico. Tentei sair dali puxando-me com força, mas realmente
não conseguia. E não pensei em tirar os tênis porque achava que em breve
estaria me esvaindo em sangue. O incauto motorista, sobressaltado, se quedou
paralisado me olhando grudado no automóvel. Eu gritando e tentando empurrar o
fuska com cara de terrorista e ele sem entender o motivo. Felizmente os colegas
mandaram o chofer movimentar o veículo pra frente, liberando os membros que eu
julgava desunidos de mim. Olhei para baixo e não vi o sangue esperado. Apertei
e senti os dedos intactos. Os amigos começaram a gargalhar enquanto eu,
fidalgamente, fingi que nada houvera acontecido. Atravessei o logradouro
aparentando calma, apesar de totalmente encharcado de suor. O automóvel que
tentou olvidar esse crime abriu a porta para o passageiro e partiu como se nem
tivesse provocado uma quase tragédia. Creio que o “barbeiro” do volante tenha
passado a ser mais cauteloso daquele dia em diante. Da minha parte passei a
atravessar as ruas olhando para todos os lados, para cima e para baixo,
independente do fluxo de pessoas, animais, veículos ou aeronaves.
sábado, 5 de novembro de 2022
INSONE
Se adormeço uma noite tranquilo,
Tenho o descanso de um
justo.
Mas não durmo, lembrando
daquilo:
que este mundo é vil e
vetusto.
Zumbizando na esquina da
mente,
Insone, mesmo assim
consentâneo.
Pois se durmo, o sonho é
premente:
melhor mundo no contemporâneo.
O difícil é entender-se
no outro.
Só se vê alma estranha e
vazia.
Às tragédias a postura é
de neutro.
Penso, se a bondade fosse
idiossincrasia...
Fecho os olhos, me
aquieto, me prostro.
É apenas mentira, ilusão,
disfasia.
Fábio Roberto
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
COMUM
Estou cansado de fazer
poemas,
Eles já não mudam as
pessoas.
Nem quero buscar uma rima,
A linguagem será comum,
coloquial.
Os meus sentimentos se
dispersaram,
Tanto quanto o pensamento
embaralhou.
Tudo porque eu não
entendo mais nada,
E o que eu vejo na mesa
ao lado
É a transparência da
solidão.
O meu violão ficou
distante e calado,
Nem mesmo uma corda se arrebentou,
Deixando o ambiente sem canto
ou barulho.
E eu nunca quis mudar as
pessoas, só o mundo
E os poemas que agora não
vou mais escrever,
Por mais que a vontade
insista.
Posso até ganhar um
sorriso, um beijo,
Uma louca e tarada noite
de sexo
Com perversões que só eu pra
imaginar
E continuarei inerte,
impassível,
Sem escrever, ditar ou me
existir em palavras,
Como um bêbado que devorou
o alfabeto,
Vomitou todas as letras num
bueiro
E se esqueceu de dizer o
quanto queria
E amava desesperadamente
aquela Musa,
Antes de ficar cansado de
fazer poemas.
Só que agora não sei se
ainda dá tempo,
Se é tarde ou muito cedo
para enviar um whatsapp,
Com apenas mais um poema.
Só este, porque cansei.
Fábio Roberto
terça-feira, 11 de outubro de 2022
sábado, 17 de setembro de 2022
sábado, 10 de setembro de 2022
quarta-feira, 13 de abril de 2022
FRAGMENTO
Há momentos em que a
melancolia aflora
e a fauna que habita a
minha selva ruge,
se a natureza é bela, mas
definha, embolora
e a necessidade de salvar
a vida urge,
quando a minha lágrima
interrompe o riso,
do palhaço que esconde a alma
atormentada
e deixo-me de ser velha
criança, paraliso.
O tempo é a mente lúcida
fragmentada.
Ah... minha tristeza é quase
sem motivo
ou é por tanta coisa que ainda
aguento,
passando em cada dor um
beijo como unguento?
E nasce outro poema cru,
subjetivo.
Transborda uma paixão
carente de adjetivo,
por ser o meu temor, encanto
e alento.
Fábio Roberto






















