segunda-feira, 2 de setembro de 2019
sábado, 31 de agosto de 2019
DESESPERO
Eu não tenho mais motivos
E igualmente eles não me têm
Seja pra continuar a vida
Seja pra morrer, também
E igualmente eles não me têm
Seja pra continuar a vida
Seja pra morrer, também
Tanto faz tamanha a minha fome
Muito eu faria por imensa sede
Não importa que o sangue não sacie
Nem quando o fato encontra uma parede
Muito eu faria por imensa sede
Não importa que o sangue não sacie
Nem quando o fato encontra uma parede
Mesmo que eu sonhasse paisagens belas
Eu as veria com olhos de rua
Se na sarjeta a emoção dormisse
Feito o adeus de uma Musa nua
Eu as veria com olhos de rua
Se na sarjeta a emoção dormisse
Feito o adeus de uma Musa nua
E nela eu perdesse os meus pensamentos
Porque em mim talvez fosse ela eterna
Quem sabe nunca houvera existido
Ou sido a luz no fundo da caverna?
Porque em mim talvez fosse ela eterna
Quem sabe nunca houvera existido
Ou sido a luz no fundo da caverna?
Queria eu o fim da minha história
E junto com ela a gana por vingança
É um desespero ainda ter vontades
Sorrir, assim, como sorri criança
E junto com ela a gana por vingança
É um desespero ainda ter vontades
Sorrir, assim, como sorri criança
Fábio Roberto
terça-feira, 27 de agosto de 2019
FRAME
Nada disso
está acontecendo agora.
A vida é um
pesadelo contínuo.
Um filme de
roteiro repetido.
Poema
plagiado da história.
Respira-se a
fumaça densa e escura
das chaminés,
queimadas e escapamentos.
Bebe-se o
esgoto despejado na esperança,
que longe se
afogou no desprezo ao oceano.
O lixo
alimenta os poucos ossos que restaram,
da fome que
assustou o romper do dia
que é frio,
cruel, duro e desalmado,
igual os
zumbis que ainda passeiam na paisagem.
Um relógio
quebrado enfeita o pulso de um cadáver,
cuja mão
acenou pra solidão da chuva tóxica,
poluída e
ácida, que banha tudo e envolve feito lava,
mas vejo que
nada disso está acontecendo agora.
Fábio
Roberto
sábado, 10 de agosto de 2019
PRA LÍGIA
Delicadeza é forte, a força lhe vem do bem.
Admiro quem enfrenta, além do que lhe convém.
Persegue mais do que sonhos, quer as realidades,
move-se em plenitudes, sobrevoa maldades.
O Tempo é o senhor da vida? Vida é mais do que tempo.
É o que você traz na alma, o puro sentimento.
Prevaleça em teu rosto, sorriso de vitória
cantada aos descendentes, como bela estória.
Eu que já sou bem mais velho, quase esquecendo a rima,
brindo elevando o copo - cena de obra prima -
pra Sede que nunca acaba e ao amor que te cabe:
que seja agora e amanhã, infinito, quem sabe...
Fábio Roberto
Agosto/19
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
PLUMA
Quando o carro virou a esquina, só os pneus cantaram.
Não foi a tua voz nem a minha, elas nem adeus tentaram.
Os olhos quiseram ainda, seguir o rastro da fumaça
Que o escapamento despejava, no ar tenso e sem graça.
Mas logo se dissipou pela agonia apressada do vento,
Que a paixão também levou como fim de casamento.
Como se fosse pluma, como se nem existido houvera,
Como se fosse sonho que se acorda, lembra e chora.
Fábio Roberto
Não foi a tua voz nem a minha, elas nem adeus tentaram.
Os olhos quiseram ainda, seguir o rastro da fumaça
Que o escapamento despejava, no ar tenso e sem graça.
Mas logo se dissipou pela agonia apressada do vento,
Que a paixão também levou como fim de casamento.
Como se fosse pluma, como se nem existido houvera,
Como se fosse sonho que se acorda, lembra e chora.
Fábio Roberto
Dos Sessentas ao Sessenta
Editando a história, da infância pra cá os meus cabelos continuaram existindo e estão novamente longos. Permaneço jogando futebol, agora com as netas. A cerva é apreciada com volúpia, fato inconteste que a Sede não acabou e só aumenta. As paixões impulsivas se intensificaram, praticamente incontroláveis, quase irresponsáveis. A arte que em mim cedo nasceu frutificou e se transformou em centenas de canções e uma quantidade incalculável de escritos. A grana que eu não tinha eu ainda não tenho, o que revela o meu sincero despojamento material, quase franciscano. E a famosa imunidade ao vírus da gripe está aqui, intacta, apesar da forte torcida de muitos para que eu tenha um mísero resfriado.
Com tanta vida saboreada em lágrimas e sorrisos, aventuras insuperáveis e marasmos agonizantes, eu sei que enquanto o corpo envelhece um ano, a alma encanece cem, comemorando todas as existências e até lamentando algumas delas. O importante é manter a essência, que é muito mais idosa do que o físico, perdurando íntegra no tempo. É o que faço.
Fábio Roberto
CYCLE 3
Não é que eu não goste da vida. Eu não a aprecio tanto neste planeta. Sei lá se vim exilado de outra Esfera qualquer, mas com este lugar não conectei completamente. A Terra até que é maravilhosa, só que a maioria dos humanos que a habitam são os refugos das galáxias, estagiando aqui antes de pousarem nos umbrais. Estou distante de ser anjo, mas separado um universo dessas coisas-coisas. Para os poucos amigos que me conquistaram eu ofereci o melhor que pude de mim, do bom ao complicado.
Claro que o dia nascendo, com o sol se levantando do mar para o alto dos céus, é uma imagem de se admirar. E beleza ainda superior acontece quando o dia é findo. O sol, desgastado, adormece o seu desânimo apagando-se atrás dos montes, deixando a soberana musa dos poetas, a noite, prevalecer na escuridão íntima das nossas almas inconformadas, melancólicas, rebeldes, sequiosas de paixão e vontade do viver, mesmo que brevemente. Uivamos pra lua junto aos lobos da estepe e cães urbanos abandonados, em melodias que se fundem numa só voz de desespero. Gritamos por saudade de algo que desconhecemos, mas que dói violentamente chegando a estremecer os nossos esqueletos.
Escrevi estas palavras porque completei hoje 60 anos de quando fiz escolhas que ainda não entendo e aportei cá com minha eterna alegria de criança palhaça e meu sempre velho e cansado sentimento de quem tentou movimentar o imutável, sonhar o impensável e realizar o impossível. Ora em vão, ora quase, ora oração. Constato que não morri cedo, pois evidentemente, sigo carregando um corpo que incomoda espaços. Mas eu sei que o Tempo não se mede pelo tempo deste corpo neste agora. Talvez eu tenha morrido ao chegar, ou mesmo antes ou então depois, por não ter criado a minha obra-prima nesta existência. O fato é que nunca estive satisfeito. Penso que considerar-se realizado é para os fracos, acomodados ou falsos que se auto-enganam.
Os meus olhos que temiam não temer nada, agora só temem ver um absoluto nada, porque um dia não haverá talvez. Após o ciclo romper limites, a esperança é que possa haver lá adiante o momento de rever, saber e estar pleno de tudo e todos que amo infinitamente.
E nesta data e hora em que esqueci desejos, nem espero abraços, só brindes erguidos por bêbados convictos ou sóbrios inebriados. Abro um sorriso sinceramente feliz pro passado, pois vivi emoções loucas, poderosas, inesquecíveis e ofereço um sorriso irônico, exageradamente sacana pro futuro, onde teria energia intensa para muito além, mas tanto faz, tanto fiz, tanto faria. O futuro que me espere a partir de amanhã, se quiser, ou aguarde quando eu for apenas histórias.
brindemos,
Fábio Roberto
02agosto2019
Fábio Roberto
02agosto2019
sábado, 27 de julho de 2019
O PATO (O MORO) – Paródia Faroberto
O Moro
Vinha cantando alegremente
Quém! Quém!
Quando um Toffoli sorridente pediu
Para entrar também no samba
Lambança, lambança!
Vinha cantando alegremente
Quém! Quém!
Quando um Toffoli sorridente pediu
Para entrar também no samba
Lambança, lambança!
Dallagnol, gostou da dupla e fez também
Quém! Quém! Quém!
Chamou Fachin
E disse assim: Vem! Vem!
Tem palestra pra juiz também
Muito bom, muito bem
Quém! Quém! Quém!
Chamou Fachin
E disse assim: Vem! Vem!
Tem palestra pra juiz também
Muito bom, muito bem
Na porta da cadeia
Foram ensaiar
Para evitar
O Lula-Livre, Lula-lá
Foram ensaiar
Para evitar
O Lula-Livre, Lula-lá
A voz do Moro
Era mesmo um desaforo
Jogo de cena com o Deltan era ouro
Mas eu gostei do final
Quando o povo vaiava
O Quarteto: ponto final!
Era mesmo um desaforo
Jogo de cena com o Deltan era ouro
Mas eu gostei do final
Quando o povo vaiava
O Quarteto: ponto final!
Quém! Quém! Quém! Quém! (Moro)
Quém! Quém! Quém! Quém! (Toffoli)
Quém! Quém! Quém! Quém! (Deltan)
Quém! Quém! Quém! Quém! (Fachin)
Quém! Quém! Quém! Quém! (Toffoli)
Quém! Quém! Quém! Quém! (Deltan)
Quém! Quém! Quém! Quém! (Fachin)
O PATO (Jayme Silva/Neuza Teixeira), clássica gravação de João Gilberto.
sábado, 6 de julho de 2019
SORRISO
O meu sorriso sempre é puro desafio.
Um fio desencapado que provoca choque.
O escroque disfarçado em roupa de um santo.
Um tanto gigantesco que resulta em nada.
Um fio desencapado que provoca choque.
O escroque disfarçado em roupa de um santo.
Um tanto gigantesco que resulta em nada.
É espada afiada que provoca luta.
A puta de esquina que te cobra caro.
O faro apurado que ofende o perfume.
O lume de esperança que simplesmente apaga.
A puta de esquina que te cobra caro.
O faro apurado que ofende o perfume.
O lume de esperança que simplesmente apaga.
E afaga o
desejo de morrer lá fora.
E agora, sem demora, assim bem de repente.
Aquilo que se sente ao ver na paisagem.
A imagem do espelho partindo meu sorriso.
E agora, sem demora, assim bem de repente.
Aquilo que se sente ao ver na paisagem.
A imagem do espelho partindo meu sorriso.
Fábio Roberto
quinta-feira, 13 de junho de 2019
DESTINOS VII
Se não existir pelo menos um olhar para admirar a paisagem,
tanto faz que seja bela ou disforme.
Será uma paisagem, apenas, uma paisagem qualquer
ou nem mesmo paisagem.
tanto faz que seja bela ou disforme.
Será uma paisagem, apenas, uma paisagem qualquer
ou nem mesmo paisagem.
Assim como a minha vida sem você.
Tanto faz que seja lúgubre ou venturosa,
rotineira ou súbita.
Não importa a longevidade.
Será uma vida, apenas, uma vida qualquer
ou nem mesmo vida.
Tanto faz que seja lúgubre ou venturosa,
rotineira ou súbita.
Não importa a longevidade.
Será uma vida, apenas, uma vida qualquer
ou nem mesmo vida.
Saudade.
Fábio Roberto
Do Livro dos Destinos
Do Livro dos Destinos
quarta-feira, 5 de junho de 2019
BUMERANGUE
Eu não falo de morte, se o teu amor eu canto.
Eu me visto de lorde, eu me faço de santo.
Acabo voando sem norte e a dor é um manto,
Se o teu desprezo me morde. Na solidão eu decanto.
Eu não falo de sangue, se o teu amor existe.
Sou herói de bangue-bangue, eu jamais fico triste.
Mas o sorriso é exangue naquele segundo que hesites,
Se a paixão bumerangue sempre volta e desiste.
Sim, eu falo de vida se o teu amor for eterno.
A minha alegria atrevida, o sentimento que esterno.
Mas a palavra duvida e todas as rimas eu hiberno,
Pra não acabar o poema representando o inferno.
Fábio Roberto
Eu me visto de lorde, eu me faço de santo.
Acabo voando sem norte e a dor é um manto,
Se o teu desprezo me morde. Na solidão eu decanto.
Eu não falo de sangue, se o teu amor existe.
Sou herói de bangue-bangue, eu jamais fico triste.
Mas o sorriso é exangue naquele segundo que hesites,
Se a paixão bumerangue sempre volta e desiste.
Sim, eu falo de vida se o teu amor for eterno.
A minha alegria atrevida, o sentimento que esterno.
Mas a palavra duvida e todas as rimas eu hiberno,
Pra não acabar o poema representando o inferno.
Fábio Roberto
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