estou cansado mas não consigo e não quero parar então continuo e vou indo sem pausa sem reabastecer as energias sem acomodar o corpo sem fechar o olhos sem esticar os ossos numa cama ou chão e com os meus músculos rígidos sem relaxar sigo adiante sem interrupção sem repouso pois não há intervalo para afrouxar os passos ou motivo para diminuir o ímpeto de ir em frente e assim vou sem suspender o ritmo das pernas que andam nesse compasso rápido sem se deterem por nada com a mesma intensidade sem decrescerem a velocidade sem sustarem o movimento sem cessarem a ação portanto eu nem olho para trás para não perder um segundo sequer de espaço futuro caminhando assim sempre ao além do possível além das forças além da vida além do sonho para chegar ao ponto de descanso e com a vontade de ultrapassar todos os limites prosseguir para mim não existe ponto final vírgula ou reticências e só vou parar numa exclamação de alegria ou dor
Fábio Roberto
quinta-feira, 29 de junho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
O OLHAR
Quem irá entender as minhas palavras sem que passe pela cabeça que eu
sou uma atitude vaga e penso sempre antes do momento existir?
Não tenho tempo para explicar o tempo do meu desgaste.
Não sou um bom amigo para beber cervejas sem falar bobagens próprias ou filosofar sobre uma frase de Thoreau.
Não sou um bom amante se não devorar a alma de quem amo e me entregar às mãos dessa amada como se ela fosse Deus.
Plantei filhos e para eles não transmiti mentiras sociais, para que pudessem colher da arte o alimento supremo na realização plena de suas vidas.
Eu sou um descasamento, sou certamente um errante. Um materializador de sonhos. Um destruidor de sonhos. Um pesadelo que faz sorrir.
Não sou um compositor de jingles, mas poderia colocar uma pimenta no seu doce de coco e vendê-lo como pipoca. Cantando.
Tenho medo de dor de dente, tenho medo de dor no dedo, tenho medo de cebola.
Não tenho tempo para explicar o tempo do meu desgaste.
Não sou um bom amigo para beber cervejas sem falar bobagens próprias ou filosofar sobre uma frase de Thoreau.
Não sou um bom amante se não devorar a alma de quem amo e me entregar às mãos dessa amada como se ela fosse Deus.
Plantei filhos e para eles não transmiti mentiras sociais, para que pudessem colher da arte o alimento supremo na realização plena de suas vidas.
Eu sou um descasamento, sou certamente um errante. Um materializador de sonhos. Um destruidor de sonhos. Um pesadelo que faz sorrir.
Não sou um compositor de jingles, mas poderia colocar uma pimenta no seu doce de coco e vendê-lo como pipoca. Cantando.
Tenho medo de dor de dente, tenho medo de dor no dedo, tenho medo de cebola.
Não tenho medo da morte, mas não a aceito agora, sem antes encontrar
com o meu destino cara a cara com a faca na boca, a caneta na mão e um papel em
branco para mostrar a ele que a poesia não precisa assistir ao por do sol ou a
uma luta.
Ou será que um cego não pode ser poeta?
Mas não seria a morte encontrar-se finalmente com o destino?
Eu sei de tudo o que vivi ontem.
Eu sei de tudo o que vivi ontem.
O meu ontem foi muito mais do que todas as vidas de muita gente.
Nossa, como sou arrogante!
E agora estou calmo demais.
O futuro está nos meus olhos.
O futuro está nos meus olhos.
O futuro está nos teus olhos.
Resta saber para onde iremos olhar.
Fábio Roberto
sexta-feira, 2 de junho de 2017
AMAR
Eu penso que amar é para fracos
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram taboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.
É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meus olhos a cor:
a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.
Devorando-a inteira e lentamente.
que se despedaçam em cacos.
Gente que precisa de muleta
pro coração
não ficar jogado na sarjeta
da emoção.
Gente que se vê sem par
e logo corre pro bar
para afogar mágoas,
onde garrafas viram taboas
de náufragos num mar
de solidão.
Abandonam até o lar
na imensidão
de uma tristeza tão dolorida,
maior do que cabe na vida.
É por isso que sou forte
e não amo. Amor é morte.
Vou ao bar beber sem agonia.
Não importa se estou só,
pois mais dia menos dia
todos viraremos pó.
Resistirei, então, eterna e bravamente
a este sentimento
vagabundo, podre e insolente
que me ataca neste momento,
tirando dos meus olhos a cor:
a vontade de amar-te desesperadamente,
como se condenado fosse ao amor.
O que me mataria certamente,
como um inseto mata uma flor.
Devorando-a inteira e lentamente.
Fábio Roberto
quarta-feira, 31 de maio de 2017
À BAILARINA
Mulher dos sonhos transparentes,
lascivos e indecentes,
construídos na paixão.
Mulher, aceito a tua dança
formando aliança
com nossa ilusão.
Abraço a fome do teu corpo,
disfarço e bebo a tua dor.
Cansaço e mágoa de um morto,
faço-me assim o teu consolador.
Mulher, não se ama impunemente,
mesmo que a gente tente
não há como escapar.
Mulher, deixaste a tua lembrança
no beijo que ainda alcança
e torna-nos um par.
Apague essa realidade.
Negue ser de um deus cruel.
Faça em mim tua vontade.
Nasça a tua vida neste céu.
lascivos e indecentes,
construídos na paixão.
Mulher, aceito a tua dança
formando aliança
com nossa ilusão.
Abraço a fome do teu corpo,
disfarço e bebo a tua dor.
Cansaço e mágoa de um morto,
faço-me assim o teu consolador.
Mulher, não se ama impunemente,
mesmo que a gente tente
não há como escapar.
Mulher, deixaste a tua lembrança
no beijo que ainda alcança
e torna-nos um par.
Apague essa realidade.
Negue ser de um deus cruel.
Faça em mim tua vontade.
Nasça a tua vida neste céu.
Fábio Roberto
(Poema do conto “A
Bailarina, o Barman e o Pianista”)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Os Olhos Da Lua - Raissa
Pequena criatura
Os olhos da lua te mostram o
caminho
De outra missão
Corrente de água começa outro
mar
A vida não esquece
Se em alguém permanece raiz e
saudade
Morrer não é morte
Saudade é transporte
Agora tua festa de
rabo-sorriso
É de estrela em estrela,
passeio bonito
Coleira de nuvens
Tão grande o teu novo lar
Pequena criança ouviu o
assobio
O chamado, o pedido desse
outro amigo
Pois guarde esse dono (o dono
do mundo)
Tal como comigo precisa tua
brincadeira
Raízes de um coração
Não batem, só brilham
Não batem, só brilham
Não bate, só brilha
Fábio Roberto (musicado em 1983)
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
FILME
Longe
de paixão ou sentimento
Lua
minguante de inspiração, desejo
Sedento
de estória, grua sem movimento
Pés
devorados pela estrada, pejo
Desprotegidos
olhos apagados
Desprovidos
de esperanças ou medos
Palavras
ao vento, sonhos enrugados
Trancafiando
cantos, rimas e segredos
No
coração do tempo ou do esquecimento
Verdade
que na alma é o sangue que derrama
Dor
do ator que não foge de comédia ou drama
Personagem
sem roteiro, partitura, alento
A
vida acorda e adormece sua arte no cimento
Perdeu
a fama e cena no último fotograma
Fábio
Roberto
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
ETERNIDADE
Uns
têm história pra lembrar,
outros
para esquecer.
Alguns
têm vida pra cantar,
outros
para emudecer.
Tudo
não passa de um momento.
No
éter fica todo sentimento
lindo,
forte, intenso e imponente
relâmpago
no céu da minha lente.
Fábio
Roberto
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
DRAMA
O que há de
se fazer quando a paixão morre
Além de
poetizar uma canção e o porre
Sempre foi
assim e assim será depois
Do próximo
amor que nem chegou, já foi
Fábio
Roberto
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
EPITÁFIOS
Rico: o futuro...
adeus, pertences!
Sovina: Deus me pague!
Ateu: há...deus?
Pobre: lápide retirada por inadimplência
Gay: já dei o que tinha que dar
Devedor: devo, não nego, vem aqui me cobrar
Modelo: meu esqueleto veste um terno Giorgio Armani
Fumante: estou na área reservada para fumantes
Atleta: bati o meu recorde sem respirar!
Bombeiro: cheguei tarde, só restaram cinzas...
Pescador: tantas minhocas, mas cadê a vara?
Ansioso: já fui tarde
Incrédulo: isto não está acontecendo
Otimista: passei desta para melhor
Viciado: do pó ao
pó e vice versa
Convencido: meus
pêsames pra vocês
Marinheiro: terra
à vista!
Temer: não renuncio à vida
Moro: tenho convicção que morri
Dilma: porque morte é morte, vida é vida e cada um é uma coisa
Lula: o comunismo se fidel!
Odebrecht: a obra deste jazigo foi realizada sem propina e aprovada pelo PMDB...
Faroberto
Faroberto
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
PANDORA
Hoje
o meu poema não é triste,
tampouco
minha música alegre.
Mais
rápido que os dedos num tuíte.
Lentamente
quanto amor que desintegre.
Hoje
é assim um quase ou quase nada,
tal
como estar de fraque e ser um pária.
Fugaz
como o amor que se evada.
Eterno
como a voz em uma ária.
Não
sei se é hoje o tempo desta história.
Sei
lá se estou vivendo este agora,
ou
se é um pesadelo da memória.
Pergunto
ao céu se fico ou vou embora.
Não
sei se é fuga, encontro, paz ou glória,
mas
fecho-me na caixa de Pandora.
Fábio
Roberto
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
A MOSCA
O tempo parece estar parado. Nada se
moveu por uma eternidade até uma mosca pousar subitamente em meu nariz. Não sei
por que não consegui mover braços para espantá-la, quando lembro imediatamente
da canção “eu sou a moscaaaaa...”. A Brachycera voou e o tempo pareceu parado
outra vez, mas há um ventilador girando segundos lentamente. Tão lentamente que
não sinto o vento que ele faz. Aliás, nem sinto calor. Percebi que nem pisco,
afinal o tempo parece não passar. Somente a mosca vai e volta. Ela tem asas e
olhos enormes que me fitam fixamente, assim tenho certeza de que o tempo está
inerte. Nos brilhantes olhos da mosca vejo refletido um ambiente morto. Como se
fosse um fúnebre desenho. Mas não sei como é possível haver movimentos numa
imagem estática. Como pode a mosca voar e o ventilador girar, mesmo malemolente,
com o tempo e tudo mais imóvel? Por que não levanto, balanço pernas ou
simplesmente grito? Descubro agora o motivo dos meus olhos não piscarem. Eles
estão fechados como a porta que também se fecha, não antes de alguém desligar o
ventilador e apagar as velas. Aqui somente a mosca continuará voando até
cumprir seus trinta dias de vida e o tempo definitivamente parar.
Fábio Roberto
sábado, 15 de outubro de 2016
EVOLUÇÃO
No fundo do poço existe outro poço e outro fundo do poço onde existe outro poço e outro fundo do poço.
E assim,
Sucessivamente.
Lenta,
Muito
L e n t a m e n t e,
Nessa jornada ao inverso da vida haverá o revés do passo, pois que a vida não tem fim.
E será assim,
Sucessivamente,
Até que não existam poço e fundo do poço onde existam outro poço e outro fundo do poço e outro poço,
Que só restará a opção de subir.
Fábio Roberto
E assim,
Sucessivamente.
Lenta,
Muito
L e n t a m e n t e,
Nessa jornada ao inverso da vida haverá o revés do passo, pois que a vida não tem fim.
E será assim,
Sucessivamente,
Até que não existam poço e fundo do poço onde existam outro poço e outro fundo do poço e outro poço,
Que só restará a opção de subir.
Fábio Roberto
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
SEDE
Pode a palavra apagar
Pode o canto emudecer
Mesmo se o dia dormir
Sem que haja anoitecer
Pode parar de brilhar
Uma estrela a morrer
Um rio não mais navegar
E a saudade esquecer
Nossa história
Eu lembro como se fosse agora
Cravei as mãos nas tuas costas
Deixando dor/prazer marcados
No corpo que era a minha cama
Gemidos congelaram as horas
Os gritos excitaram as velas
O fogo mordendo os lençóis
Deu Sede que bebi teus lábios
Fábio Roberto
Escrito e musicado em 2011
Pode o canto emudecer
Mesmo se o dia dormir
Sem que haja anoitecer
Pode parar de brilhar
Uma estrela a morrer
Um rio não mais navegar
E a saudade esquecer
Nossa história
Eu lembro como se fosse agora
Cravei as mãos nas tuas costas
Deixando dor/prazer marcados
No corpo que era a minha cama
Gemidos congelaram as horas
Os gritos excitaram as velas
O fogo mordendo os lençóis
Deu Sede que bebi teus lábios
Fábio Roberto
Escrito e musicado em 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2016
TUMBA
Cansado desta
poesia maldita que dilacera as palavras,
o coração e
transcende à alma.
Não há como
criar novas canções.
Os temas se
repetiram, repetiram, repetiram
na constante
perversa de uma vida e sua incógnita.
Pois, sim,
existe vida após a morte.
Mas não sei
o que existe antes.
Seria tudo
um pensamento ou um espasmo,
um flash, o último piscar dos olhos do tempo?
Sem resposta
as musas, também cansadas desta poesia maldita
que dilacera
as palavras, as canções, o coração e transcende à alma,
recolheram-se
ao interior das suas asas que nunca mais abrirão.
E assim
resta apenas o silêncio cinza e austero de uma tumba confortável e bela,
onde dormirá
eternamente toda e qualquer inspiração.
Fábio
Roberto
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Rumos e Rimas:
o poeta vive em agonia. Semelhante a um médium vê a vida, pode
amá-la, mas não pode alterar os seus rumos. Depois que a poesia nasce o poeta não
pode nem mesmo mudar as suas rimas.
Fábio Roberto
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Cemitério de Leões
Nem a carne, nem o espírito.
O rio secou água da lenda.
Caíram árvore, sombra e mito.
Rugido não mais ecoa forte.
A caçada terminou em armadilha
Uma feroz espera pela morte.
A sílaba que faltou na redondilha.
Assim, façam a festa abutre e hiena.
Meus ossos vão voltar à natureza,
como se fossem a dor de uma gangrena
que devorou a alma da tristeza.
Fábio Roberto
sábado, 26 de março de 2016
BILHETE ÚNICO
Certas
pessoas não passam pela nossa vida
Certas
pessoas passam pela nossa vida
Certas
pessoas não passam vida
Certas
não pessoas passam
Certas
pessoas não passam
Incertas
pessoas
Incertas
vidas
Certas
vidas
Passam
Fábio
Roberto
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
PEDINTE
Solitária régua sem compasso,
incapaz de desenhar a curva.
Rio morto aguardando chuva.
A marcha que perdeu o passo.
Palavras numa boca muda.
Estória nunca terminada.
Terra livre, fértil e não lavrada.
Mãos ágeis que o vazio saúda
Coração novo e enferrujado.
A vida ausente de esperança.
Um mundo frio e inabitado
e mesmo assim na esquina dança,
memória de céu estrelado:
carrega o olhar de uma criança.
Fábio Roberto
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Poema de Ano Novo
Ter
esperança é lindo
e
simultâneo ínfimo
quando
o futuro findo
quando
desespero íntimo
Ter
esperança de novo
roda
da vida roda
quando
o futuro é corvo
quando
o presente é foda
O
que se sabe hoje
nunca
se soube agora
vomito
tudo fora
entranha
que me foge
sorriso
de outrora
mundo
que me enoje
Fábio
Roberto
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Pedidos de Natal de...
criança pobre:
banquete
baterista: baquetas
tarado: boquete
guloso: muito peru
goleiro: nenhum peru
peru: nenhum natal
humilde: votos de boas festas
padre: votos de castidade
político: votos
pobre: saúde
baterista: baquetas
tarado: boquete
guloso: muito peru
goleiro: nenhum peru
peru: nenhum natal
humilde: votos de boas festas
padre: votos de castidade
político: votos
pobre: saúde
remediado:
trabalho
rico: grana
homem: uma mulher
mulher: um homem
bi: os dois
rico: grana
homem: uma mulher
mulher: um homem
bi: os dois
crianças:
presente
saudosos: passado
saudosos: passado
velhos: futuro
papai noel: renascer super herói da marvel
Fábio Roberto
Assinar:
Postagens (Atom)